Equipes da Força Tática localizaram o jovem ainda no bairro, cerca de cinco horas após o crime, e o conduziram à Delegacia de Polícia Civil de Coxim, onde ele permanece preso
Em um cenário que acende ainda mais o alerta contra a violência de gênero no Brasil, Coxim (MS) registrou no último domingo o terceiro feminicídio de 2026 no estado de Mato Grosso do Sul, num caso que chocou a população e reacende o debate sobre políticas de proteção às mulheres.
Na madrugada de 22 de fevereiro, por volta das 4h30, a Polícia Militar foi acionada por vizinhos para atender uma ocorrência em uma residência do bairro Senhor Divino, onde encontraram Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, já sem vida, caída sobre um colchão com um ferimento provocado por arma branca na região do abdômen.
Segundo informações oficiais, Nilza foi atingida após uma discussão familiar com o próprio filho, identificado como Gabriel, de 22 anos. Equipes da Força Tática localizaram o jovem ainda no bairro, cerca de cinco horas após o crime, e o conduziram à Delegacia de Polícia Civil de Coxim, onde ele permanece preso em flagrante enquanto as investigações prosseguem.
O caso é registrado oficialmente como feminicídio — homicídio cometido em razão da condição de gênero e no contexto de violência doméstica ou familiar, tipificação prevista no Código Penal brasileiro e que reforça a gravidade deste tipo de crime.
Padrão preocupante: três vítimas em menos de dois meses
Este é o terceiro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026, depois de casos anteriores em Bela Vista e Corumbá no mês de janeiro.
Dados nacionais mostram que o Brasil vive uma escalada no número de casos: em 2025 foram registrados mais de 1.500 feminicídios, uma média de cerca de quatro mortes por dia, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Especialistas e organizações de defesa dos direitos das mulheres destacam que esses números não apenas revelam a dimensão dramática da violência de gênero no país, mas também apontam para a necessidade de reforçar medidas de prevenção, proteção e apoio às vítimas, desde denúncias até políticas públicas integradas.
Repercussão e reflexos sociais
A morte de Nilza ressoa em uma comunidade abalada — familiares e moradores expressam tristeza e revolta diante de mais um crime cometido no ambiente familiar. O caso reacende questionamentos sobre as falhas nos mecanismos de proteção às mulheres, mesmo em situações em que sinais de violência doméstica e conflitos persistentes já haviam sido relatados anteriormente.
A polícia civil segue investigando a dinâmica dos fatos e também apura a participação de outros envolvidos, além de ouvir testemunhas para esclarecer completamente as circunstâncias do crime.
Enquanto isso, autoridades locais reforçam o chamado para que qualquer sinal de violência seja denunciado às forças de segurança ou canais de atendimento especializados, como a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180, disponível 24 horas para orientação e apoio.






