Combinar remédios após beber pode prejudicar estômago e fígado; hidratação e moderação continuam sendo as melhores soluções
Durante o Carnaval, farmácias exibem os chamados “kits ressaca”, que prometem aliviar dores de cabeça, náuseas, azia e mal-estar depois de beber. Mas, segundo especialistas, esses produtos podem trazer mais riscos do que benefícios.
O professor Jhonatan Gama, do curso de Farmácia da Estácio, alerta que misturar álcool e medicamentos sobrecarrega o fígado e pode aumentar a toxicidade do organismo. “Depois de beber, o fígado já está sobrecarregado, e o uso de analgésicos pode agravar a situação”, explica.
Além do fígado, o estômago também sofre. Produtos comuns em kits de ressaca contêm ácido acetilsalicílico ou combinações de analgésicos, anti-inflamatórios e antiácidos que, quando usados sem critério, podem causar gastrite e úlceras. Misturas populares, como antiácidos com analgésicos, diminuem a proteção natural do estômago, aumentando o risco de complicações.
Segundo o especialista, muitos acreditam que estão apenas enfrentando os sintomas da ressaca, mas o corpo pode estar sofrendo efeitos silenciosos do álcool combinado com medicamentos. Em alguns casos, apenas exames de sangue conseguem identificar danos no fígado.
A orientação dos especialistas é clara: a maneira mais segura de evitar a ressaca é moderação no consumo de álcool, hidratação constante e repouso. Água, água de coco e pausas entre bebidas são os métodos mais eficazes para minimizar os efeitos do álcool. O uso de remédios como paracetamol deve ser evitado após beber, já que o fígado já está sob estresse.
“Não existe ‘kit ressaca’. O melhor mesmo é beber socialmente, com água por perto, e sempre com cuidado”, reforça o professor. Durante a folia, cuidar da saúde continua sendo essencial para que a diversão não se transforme em problema no dia seguinte.






