Itens mais baratos ganham espaço nas prateleiras, mas têm menos cacau e menor valor nutricional
Com a chegada da Páscoa, cresce não só o consumo de chocolate, mas também a presença de produtos que apenas imitam o alimento tradicional. Mais acessíveis e visualmente semelhantes, os itens rotulados como “sabor chocolate”, “cobertura” ou “composto” vêm ganhando espaço no mercado e levantando dúvidas sobre qualidade e composição.
Esse cenário está ligado, em parte, à legislação brasileira, que flexibilizou a quantidade mínima de cacau nos produtos. Com isso, a indústria passou a utilizar mais gorduras vegetais no lugar da manteiga de cacau — ingrediente mais caro —, reduzindo custos e ampliando a oferta de versões mais baratas.
Apesar da semelhança no sabor e na aparência, esses produtos não são considerados chocolate de fato. Eles têm menor teor de cacau e, consequentemente, menos compostos benéficos à saúde, como os antioxidantes presentes no chocolate tradicional, principalmente nas versões com maior concentração de cacau.
Especialistas alertam que a diferença vai além do preço. Produtos com pouco cacau e mais açúcar e gorduras substitutas tendem a ter menor valor nutricional e podem impactar negativamente a saúde quando consumidos em excesso.
Por isso, a orientação é ficar atento aos rótulos. Termos como “sabor chocolate” já indicam que o produto não possui a composição de um chocolate tradicional.
O tema também está em debate no Congresso Nacional. Um projeto aprovado na Câmara propõe aumentar o percentual mínimo de cacau nos chocolates e tornar obrigatória a informação dessa quantidade nos rótulos, o que pode elevar o padrão dos produtos no país.
Enquanto as mudanças não entram em vigor, a recomendação é apostar no consumo consciente: aproveitar a Páscoa sem abrir mão da qualidade, priorizando chocolates com maior teor de cacau e equilibrando as escolhas.






