Campo Grande perdeu nesta quarta-feira (8) uma de suas figuras mais emblemáticas da política e da educação. Morreu, aos 85 anos, Nelly Elias Bacha — professora, advogada e a primeira mulher a assumir a Prefeitura da Capital.
Em respeito à trajetória e à relevância histórica de Nelly, a Câmara Municipal cancelou a sessão ordinária desta quinta-feira (9) para que vereadores e servidores possam acompanhar o velório e prestar as últimas homenagens.
Natural de Corumbá, nascida em 1º de janeiro de 1941, Nelly Bacha era descendente de libaneses e construiu uma vida marcada pela atuação firme na educação, no direito e na política. Formada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, teve papel ativo no movimento educacional, chegando à presidência do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) entre 1969 e 1971.
Na advocacia, também deixou marca: defendeu sindicalistas sem cobrar honorários, reforçando um perfil combativo e alinhado às causas sociais.
Da sala de aula ao comando da Capital
A entrada na política veio por influência familiar e incentivo do ex-governador Wilson Barbosa Martins. Filiada ao MDB, Nelly foi eleita vereadora pela primeira vez em 1972, iniciando uma trajetória sólida no Legislativo municipal.
Foi reeleita em diversas legislaturas (1974, 1976, 1982 e 1985) e, em 1983, chegou à presidência da Câmara Municipal — tornando-se a segunda mulher a ocupar o cargo.
O marco maior viria pouco depois.
Com a exoneração do então prefeito Heráclito de Figueiredo, Nelly foi nomeada prefeita de Campo Grande por Wilson Barbosa Martins, entrando para a história como a primeira mulher a governar a cidade.
Mesmo por pouco mais de dois meses à frente do Executivo, deixou encaminhadas obras importantes, como galerias pluviais na avenida Euler de Azevedo e a construção da sede do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização).
Após a passagem pela Prefeitura, retornou à Câmara Municipal e seguiu na vida pública até encerrar a carreira política.






