Operação conjunta deflagrada nesta nesta quinta-feira (23) em Mato Grosso do Sul escancarou um esquema considerado sofisticado de fraude na saúde pública, com foco na judicialização de medicamentos oncológicos de alto custo. A ação, batizada de OncoJuris, cumpre mandados em três estados e investiga uma organização criminosa com atuação interestadual.
Coordenada pela Polícia Civil de MS, por meio do DRACCO, a operação conta com apoio do Ministério Público (GECOC), Defensoria Pública (NAS) e Receita Federal. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 21 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
As investigações começaram em setembro de 2025, após denúncia formal que apontava irregularidades em ações judiciais que obrigavam o poder público a fornecer medicamentos. A apuração revelou um esquema estruturado, com divisão de funções e atuação coordenada para desviar recursos públicos por meio dessas decisões.
Segundo a força-tarefa, o grupo atuava em diferentes frentes. Havia um núcleo administrativo responsável por “montar” orçamentos e dar aparência de legalidade aos pedidos; um núcleo jurídico que inseria empresas nos processos; além de empresas locais usadas como intermediárias para receber valores públicos sem estrutura real para fornecer os medicamentos.
Outro braço do esquema envolvia assessorias de importação, que adquiriam medicamentos no exterior por valores muito inferiores aos cobrados do Estado. A suspeita é de que grande parte do dinheiro liberado pela Justiça ficava retida com as empresas, sob justificativa de serviços, enquanto apenas uma pequena parcela era usada na compra dos remédios.
As autoridades também apontam indícios de fornecimento de medicamentos sem registro na autoridade sanitária brasileira, além de falhas no controle de transporte e armazenamento — situações que podem representar risco direto à saúde dos pacientes.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Já em São Paulo, a operação alcançou a capital, Barueri e Itu. Em Minas Gerais, a ação ocorreu em Nova Lima.
A operação tem como objetivo interromper as atividades ilícitas, reunir provas e responsabilizar os envolvidos, além de proteger o dinheiro público e garantir segurança no atendimento de pacientes que dependem de medicamentos de alto custo.
As investigações seguem sob sigilo e novas diligências não estão descartadas. A ação integra uma iniciativa nacional de combate ao crime organizado coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.






