Especialistas alertam que medicamentos para emagrecimento devem ser informados na consulta pré-operatória para evitar riscos graves durante procedimentos médicos
O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil já reflete diretamente no ambiente médico e cirúrgico. Levantamentos apontam que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza ou já utilizou esse tipo de medicamento, e em 33% dos domicílios há pelo menos uma pessoa com histórico de uso. O crescimento em relação a estudos anteriores evidencia a rápida popularização dessas substâncias.
Com isso, especialistas passam a observar com mais atenção um efeito que nem sempre é percebido pelos pacientes, mas que pode impactar diretamente a segurança de procedimentos que envolvem anestesia.
De acordo com o médico anestesiologista Luiz Gustavo Orlandi de Sousa, do Servan Anestesiologia, o principal ponto de atenção está no impacto dessas medicações sobre o funcionamento do estômago. Ele explica que o uso das canetas altera o esvaziamento gástrico, fazendo com que pacientes possam ser considerados com “estômago cheio” mesmo após horas de jejum, o que aumenta o risco em procedimentos cirúrgicos.
Esse cenário eleva a preocupação com a broncoaspiração, complicação grave em que o conteúdo do estômago pode atingir os pulmões durante a anestesia, colocando a vida do paciente em risco.
Entidades médicas reforçam o alerta. A Sociedade Brasileira de Anestesiologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Diabetes, recomenda a suspensão de medicamentos como semaglutida — presente em fármacos conhecidos comercialmente — por até 21 dias antes de cirurgias eletivas, devido ao impacto no esvaziamento gástrico. Em alguns casos, o período de suspensão pode variar conforme o perfil do paciente.
Outro ponto crítico é a falta de comunicação sobre o uso dessas substâncias. Por serem medicamentos recentes e amplamente utilizados fora de acompanhamento médico rigoroso, muitos pacientes não informam seu uso durante a avaliação pré-operatória, o que pode comprometer a segurança do procedimento.
Especialistas reforçam que a consulta pré-anestésica é essencial justamente para identificar riscos individuais. Nesse momento, o paciente deve informar não apenas medicamentos prescritos, mas também suplementos, hormônios e substâncias usadas para emagrecimento.
Apesar do aumento do uso dessas medicações, ainda não há protocolos totalmente consolidados sobre todos os riscos anestésicos envolvidos, o que torna a avaliação individualizada e a transparência do paciente fatores decisivos para a segurança em cirurgias e exames.






