O caso do sul-mato-grossense Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, preso pelo feminicídio da modelo Ana Luiza Mateus, trouxe de volta duras memórias para outra vítima dele. A mulher que já havia denunciado o agressor meses antes, quase foi morta por ele.
Na época, ela procurou a polícia após relatar uma sequência de violências, incluindo agressões, tentativa de estrangulamento com cinto, estupro e cárcere privado em Campo Grande. Na ocasião, Endreo chegou a ser apontado como foragido no caso.
Segundo o registro policial, a mulher foi espancada com socos, asfixiada com um cinto e obrigada a manter relação sexual sem consentimento. Ela também relatou ter sido mantida em cárcere até conseguir escapar sob o pretexto de buscar atendimento médico.
Exames feitos na Santa Casa apontaram lesões graves, incluindo fratura na região do rosto.
Depoimento após morte de modelo
Após a morte de Ana Luiza, Beatriz voltou a se manifestar publicamente, relacionando o histórico do agressor ao desfecho do caso.
“Olho para isso e a única coisa que consigo ver é que poderia ter sido eu há 6 meses atrás”, afirmou.
Ela também classificou Endreo como um agressor recorrente e disse que temia que algo mais grave pudesse acontecer.
“Era questão de tempo”, relatou.
Falha no sistema
O depoimento também traz críticas diretas à atuação das instituições e da sociedade.
“Dói perceber o descaso e a negligência dos órgãos competentes, assim como a falta de mobilização para mudanças mais firmes”, disse.
Violência que já tinha sido denunciada
O histórico reforça que o nome de Endreo já estava ligado a episódios graves de violência antes do caso no Rio.
Ele chegou a ser acusado de agressão, estupro e tentativa de feminicídio em Mato Grosso do Sul, além de outros episódios violentos ao longo dos anos.
Agora, com a morte da modelo, o relato da vítima ganha ainda mais peso e levanta questionamentos sobre possíveis falhas na prevenção de crimes dessa natureza.






