Especialista alerta para impactos do sedentarismo e da má alimentação
Comer salgadinhos, tomar refrigerante, passar horas no celular, assistir a séries deitado no sofá e trocar a atividade física por descanso fazem parte da rotina de muitas pessoas.
Isoladamente, esses comportamentos podem parecer inofensivos. O problema surge quando se tornam frequentes e passam a compor o dia a dia.
A combinação de sedentarismo, alimentação rica em sódio e ultraprocessados, excesso de peso, estresse e privação de sono pode afetar a saúde do coração e aumentar o risco de doenças silenciosas, como a hipertensão arterial.
Embora a pressão alta ainda seja mais comum em pessoas mais velhas, médicos têm observado um aumento de casos e de fatores de risco em adultos jovens.
Segundo o cardiologista Danilo Umetsu, do Hospital do Coração de Mato Grosso do Sul, esse cenário tem se tornado mais frequente na prática clínica.
Entre os principais fatores associados estão obesidade, especialmente abdominal, sedentarismo, dieta com excesso de sódio, resistência à insulina, síndrome metabólica, privação de sono, estresse, consumo excessivo de álcool e, em alguns casos, uso de anabolizantes e estimulantes.
Um ponto de atenção é que a hipertensão muitas vezes não apresenta sintomas, o que pode fazer com que o problema evolua silenciosamente por anos.
Essa exposição prolongada à pressão elevada aumenta o risco de complicações futuras, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e arritmias.
O sedentarismo é considerado um fator de risco independente para doenças cardiovasculares. Ele contribui para ganho de peso, aumento da gordura abdominal, alterações no colesterol e maior resistência à insulina.
A obesidade abdominal também influencia o controle da pressão, já que pode favorecer processos inflamatórios no organismo.
A alimentação tem papel central nesse cenário. O excesso de sódio, presente principalmente em alimentos ultraprocessados, está entre os principais fatores relacionados à elevação da pressão arterial.
Além disso, privação de sono e estresse crônico também impactam a saúde cardiovascular, podendo elevar hormônios como o cortisol e favorecer alterações metabólicas.
Na prática, a prevenção envolve uma rotina equilibrada, com atenção ao sono, alimentação, atividade física, controle do peso, redução do álcool e acompanhamento médico regular.
Para adultos jovens sem fatores de risco, a recomendação é aferir a pressão ao menos uma vez ao ano. Já pessoas com risco devem fazer o acompanhamento com mais frequência.
Valores acima de 130 por 80 mmHg já exigem atenção médica.
Sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaios, dor de cabeça intensa ou alterações neurológicas devem ser avaliados com urgência.
Em casos leves, mudanças de hábito podem ser suficientes para controlar a pressão. Em situações de maior risco, pode ser necessário o uso de medicamentos, sempre associado à mudança de estilo de vida.
O acompanhamento médico permite avaliação completa do paciente e investigação de possíveis causas da hipertensão, com exames como MAPA, Holter, ecocardiograma e teste ergométrico.






