O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta segunda-feira (6) que pediu pessoalmente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, a revisão da expulsão do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026. Mais do que isso: colocou em xeque a credibilidade da arbitragem ao classificar a decisão do brasileiro Raphael Claus como “um pouco suspeita”.
A declaração representa um dos episódios mais delicados desta Copa. Afinal, quando o chefe de Estado do país-sede admite ter recorrido diretamente ao comando da Fifa para contestar uma decisão de arbitragem, o debate deixa de ser esportivo e passa a envolver a independência da principal entidade do futebol mundial.
Trump afirmou que não considerou falta o lance que resultou na expulsão de Balogun e disse ter solicitado apenas uma revisão da jogada. Pouco depois, a Fifa suspendeu a punição automática que impediria o atacante de enfrentar a Bélgica nas oitavas de final, decisão que gerou uma onda de críticas internacionais e levantou questionamentos sobre possível favorecimento aos anfitriões.
Ao comentar o caso, Trump ainda fez referência ao árbitro Raphael Claus, sugerindo que a marcação seria “suspeita”. Embora não tenha apresentado qualquer prova de irregularidade, a insinuação amplia o desgaste em torno da arbitragem brasileira e alimenta uma narrativa perigosa para a credibilidade do torneio.
“Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito, como se eu pudesse te mostrar o histórico. Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado”, disse Trump.
A repercussão foi imediata. A UEFA classificou a decisão da Fifa como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”. Já a federação belga anunciou que contestará oficialmente a liberação de Balogun, argumentando que a medida compromete o princípio da igualdade esportiva.
O episódio reacende uma discussão antiga: até onde vai a autonomia da arbitragem quando interesses políticos entram em campo? Em qualquer competição séria, erros de arbitragem são corrigidos pelos mecanismos previstos no regulamento — nunca pela influência de chefes de Estado.
Se a Fifa pretende preservar sua credibilidade, precisará demonstrar, de forma transparente, que suas decisões continuam sendo tomadas com base nas regras do futebol, e não no peso político de quem faz o telefonema. Porque, quando a percepção de favorecimento passa a fazer parte do jogo, quem perde não é apenas um adversário — é a confiança de milhões de torcedores no esporte.






