Programa já atendeu mais de 4,3 mil beneficiários em Mato Grosso do Sul e aposta em tecnologia, atendimento multidisciplinar e acompanhamento contínuo para reduzir complicações do pé diabético
Enquanto o Brasil registra, em média, uma amputação por hora provocada pelo pé diabético, em Mato Grosso do Sul uma iniciativa da Cassems tem mudado a realidade de centenas de pacientes. A Rede Cuidar, criada para atuar desde a prevenção até a reabilitação, já atendeu 4.388 beneficiários e vem se consolidando como uma das principais estratégias da instituição para evitar complicações graves e preservar a qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema. Somente em 2022, foram realizadas cerca de 10 mil amputações relacionadas ao pé diabético no país — uma média de 28 procedimentos por dia. Além da perda do membro, o impacto é ainda maior: pacientes submetidos a amputações de grande porte apresentam elevada taxa de mortalidade nos anos seguintes ao procedimento.
Na contramão desse cenário, a Rede Cuidar aposta em atendimento integrado, tecnologia e acompanhamento permanente. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram 588 pacientes atendidos e 11.750 procedimentos realizados, resultado de um modelo que prioriza consultas periódicas, monitoramento da evolução clínica e atuação conjunta de especialistas.
A estrutura reúne diferentes frentes de assistência voltadas ao tratamento de feridas complexas, estomias e reabilitação. Entre elas está a Linha de Cuidado do Pé Diabético, que atua na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento de infecções que podem levar à amputação. O programa também desenvolve o Projeto Lesão Zero, voltado à prevenção de lesões por pressão em pacientes internados.
Para a coordenadora de Projetos e Procedimentos do Hospital Cassems, Juliana Corrente, investir em tecnologia e capacitação das equipes é fundamental para alcançar melhores resultados.
“Quando investimos em tecnologias avançadas e na capacitação contínua das nossas equipes, aceleramos o processo de cura. O resultado direto é a redução de complicações graves e reinternações. Provamos, na prática, que é possível otimizar recursos entregando uma medicina cada vez melhor e humanizada”, afirma.
Do medo da amputação à recuperação
Morador de Dourados, Lemercier De Assis Ribeiro Lopes, de 58 anos, passou 32 dias internado após uma grave infecção no pé. Durante o tratamento, ouviu diversas vezes que a amputação era praticamente inevitável.
“Quando o médico infectologista entrava no meu quarto, eu já ficava apreensivo. Ele dizia que teria que amputar meu pé. Chorei e tive muito medo. Mas a equipe iniciou o tratamento e, quando recebi alta, o médico disse que foi um milagre, porque realmente iria amputar meu pé”, relembra.
Outro beneficiário, Lourival Mesquita Ramos, de 68 anos, também de Dourados, admite que negligenciou o controle da diabetes durante anos. A consequência foi a amputação do dedão do pé e o risco de perder uma parte ainda maior do membro.
“Eu nunca cuidei da minha diabetes. Quando cheguei ao hospital, a infecção já tinha avançado. Tive que amputar o dedão e havia risco de ir cortando o pé cada vez mais. Achei que nunca mais sairia dali e perdi a esperança”, conta.
Após o procedimento, Lourival passou a receber acompanhamento especializado da Rede Cuidar, incluindo terapias para cicatrização e monitoramento constante da evolução da ferida.
Atendimento que continua após a alta
Além da assistência hospitalar, a Rede Cuidar integra o Ambulatório de Feridas e o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), garantindo que o tratamento tenha continuidade mesmo depois da alta. O objetivo é reduzir reinternações, evitar novas complicações e oferecer segurança ao paciente durante todo o processo de recuperação.
Ao reunir tecnologia, protocolos clínicos e atendimento humanizado, a iniciativa busca enfrentar um dos maiores desafios da saúde pública relacionados ao diabetes. Mais do que tratar feridas, a Rede Cuidar trabalha para preservar membros, devolver autonomia aos pacientes e transformar histórias que antes pareciam caminhar para um desfecho irreversível.






