De tempos em tempos, o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) volta a circular como possível candidata à Presidência da República. Agora, a história reaparece embalada pelo entusiasmo de produtores rurais e empresários, que passaram a defender publicamente a ex-ministra da Agricultura como alternativa na corrida ao Palácio do Planalto.
Mas a pergunta que fica é: existe, de fato, uma candidatura em construção ou o mercado político apenas assiste a mais um balão de ensaio cuidadosamente lançado em ano eleitoral? E justamente quando a senadora não precisa nem submeter o nome dela as urnas e tem mais quatro anos de mandato pela frente.
A movimentação ganhou força após a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, revelar que integrantes do grupo “Amigos do Cosag” defenderam o nome da sul-mato-grossense para disputar a Presidência. Segundo o relato, Tereza Cristina respondeu que estaria pronta para o desafio, mas fez uma ressalva decisiva: depende de o Progressistas lhe conceder a legenda.
A declaração, porém, esbarra justamente na estratégia da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Até aqui, a federação tem sinalizado preferência por manter neutralidade na disputa presidencial ou construir uma composição que preserve seus interesses nacionais, sem assumir um projeto próprio.
Uma prova, que nem a “dita direita” quer um Bolsonaro no poder. O esforço para perpetuar o bolsonarismo é mínimo. Mas isso é pauta para outro artigo.
Não é a primeira vez que o nome da senadora aparece nesse tabuleiro. Nos últimos meses, ela já foi apontada como possível vice de Flávio Bolsonaro (PL), depois afirmou que seu foco era o Senado e chegou a declarar que seu principal projeto político era disputar a presidência da Casa Legislativa.
Agora, curiosamente, volta ao centro das especulações.
Nos bastidores, uma leitura ganha força: talvez o objetivo não seja, necessariamente, colocar Tereza Cristina na disputa presidencial, mas reforçar seu peso político nacional. Afinal, poucos nomes do Progressistas possuem hoje o capital político, o trânsito no agronegócio e a capacidade de articulação que ela construiu desde que comandou o Ministério da Agricultura.
Para o partido, manter Tereza Cristina como uma liderança nacional pode valer tanto — ou até mais — do que lançá-la em uma disputa presidencial de resultado incerto.
O próprio movimento do setor produtivo reforça essa percepção. Empresários e produtores rurais chegaram a encomendar uma pesquisa qualitativa para medir o potencial eleitoral da senadora. O levantamento apontou que, embora ainda tenha baixo grau de conhecimento nacional, sua trajetória e currículo despertam avaliação positiva entre os entrevistados.
Ou seja, o teste existe. A candidatura, ainda não.
A própria Tereza Cristina já declarou, em outras oportunidades, que “ninguém é candidato de si mesmo” e que qualquer projeto presidencial depende da decisão partidária, além de defender que a direita encontre um nome competitivo e unificado para enfrentar o presidente Lula.
No fim das contas, resta a dúvida: o Planalto realmente entrou nos planos da senadora ou a movimentação serve para aumentar seu poder de negociação dentro da federação, fortalecer seu nome nacionalmente e consolidá-la como uma das principais lideranças do Progressistas? E isso, talvez a tigela dela. Talvez. Afinal, há também a máxima de vender dificuldades para colher facilidades.
E em política, muitas vezes, um balão de ensaio vale tanto quanto uma candidatura oficial. Principalmente quando o partido sabe que preservar um nome forte pode ser mais estratégico do que lançá-lo em uma disputa de alto risco.






