Recém-nascida de 28 dias estava em uma residência de Pedro Juan Caballero; dois brasileiros foram presos durante a operação
A recém-nascida Ayla Emanuelly, de apenas 28 dias, foi localizada na madrugada deste domingo (9), no Paraguai, três dias depois de desaparecer em Campo Grande. A menina estava em uma residência de Pedro Juan Caballero e foi encontrada durante uma ação das forças de segurança dos dois países.
Dois brasileiros que estavam com a bebê, Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa, foram presos. A localização da criança foi possível a partir de informações reunidas pela investigação em Mato Grosso do Sul e repassadas às autoridades paraguaias.
A operação ocorreu em um imóvel situado no cruzamento das ruas Alejo García e Coronel Martínez, no bairro Virgen de Caacupé. Policiais do Comando Tripartido cumpriram um mandado de busca no endereço, com acompanhamento da promotora de Justiça Sandra Cecilia Díaz.
Após ser encontrada, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero. A recém-nascida passou por exames médicos e ficou sob observação.
O desaparecimento aconteceu na quinta-feira (6), quando a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, saiu de casa levando Ayla e a irmã, de 13 anos. As duas teriam ido até um endereço depois de a mãe conversar com uma mulher em um grupo de brechó no WhatsApp.
A adolescente contou inicialmente que havia recebido uma proposta relacionada a um ensaio fotográfico para a filha. Em outro momento, segundo o relato registrado na ocorrência, teria sido oferecido a ela o pagamento de R$ 100 para cuidar da criança da mulher.
A mãe e a irmã foram até o endereço indicado. Segundo o depoimento, elas receberam água no imóvel e a adolescente de 13 anos acabou dormindo. Ao acordar, durante a noite, as duas teriam percebido a presença de aproximadamente dez homens na casa.
Ainda conforme o relato, a mãe de Ayla afirmou ter sido ameaçada e obrigada a entregar a bebê. Ela contou que as duas seriam jogadas em um buraco caso não obedecessem. As adolescentes deixaram o imóvel por volta da 1h de sexta-feira (7), mas Ayla permaneceu no local.
A partir daí, as buscas mobilizaram diferentes forças de segurança. Em Campo Grande, investigadores da Depca e do Garras passaram a procurar pistas que pudessem levar à localização da recém-nascida.
Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça e Segurança Pública ampliou a divulgação do caso com um alerta contendo a fotografia e os dados de Ayla. O desaparecimento também foi incluído no Alerta Amber, mecanismo utilizado para aumentar a visibilidade de casos envolvendo crianças desaparecidas.
Um homem chegou a ser preso no sábado (8), em Campo Grande, sob suspeita de ter ligação com o desaparecimento. A investigação considerava a possibilidade de ele ter cedido uma casa para esconder a criança. Em depoimento, porém, ele negou envolvimento direto e afirmou conhecer outro suspeito.
A localização de Ayla no Paraguai representa um avanço na investigação, mas ainda há perguntas a serem respondidas. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deverá apurar quem retirou a criança de Campo Grande, como ela chegou ao país vizinho e qual foi a participação de cada pessoa envolvida no caso.
Os dois brasileiros presos em Pedro Juan Caballero foram colocados à disposição do Ministério Público paraguaio. A previsão é que sejam adotados os procedimentos para que eles sejam encaminhados ao Brasil e possam responder às investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras.
Enquanto isso, Ayla permanece sob os cuidados das autoridades paraguaias, que também acompanham os procedimentos necessários para o retorno da recém-nascida ao Brasil.






