Rede estadual amplia jornada, oferece formação profissional e reforça investimentos em estrutura e alimentação escolar
Quem passa a frequentar uma escola estadual de Mato Grosso do Sul encontra mudanças que vão além da sala de aula. Prédios reformados, ambientes climatizados, novos equipamentos e a ampliação do ensino em tempo integral fazem parte de uma série de medidas adotadas na rede estadual.
A proposta é oferecer mais estrutura para estudantes e profissionais e, ao mesmo tempo, ampliar o período de permanência dos alunos na escola. Hoje, segundo a Secretaria Estadual de Educação, mais de 60% das unidades estaduais já funcionam em tempo integral.
Na prática, isso significa mais horas de atividades pedagógicas, mas também uma necessidade maior de organização para alimentação, transporte, infraestrutura e atendimento aos estudantes durante todo o dia.
Mais tempo na escola também significa mais refeições
Com a ampliação da jornada, muitos alunos passaram a fazer até três refeições por dia dentro da escola. Para aproximadamente 20 mil estudantes que utilizam o transporte escolar rural, existe ainda uma refeição oferecida na chegada à unidade.
A alimentação escolar também movimenta a economia dos municípios. As próprias escolas recebem recursos para organizar os cardápios e realizar as compras, priorizando produtos da agricultura familiar.
Embora a legislação estabeleça um percentual mínimo de 45% para a compra desses alimentos, no ano passado o índice chegou a 64% dos recursos destinados à alimentação escolar.
Além de garantir comida de qualidade aos estudantes, a medida ajuda a fortalecer produtores e fornecedores das próprias regiões.
Formação profissional prepara estudantes para o mercado
Outra frente que ganhou espaço na rede estadual é a educação profissional. Mais da metade dos alunos do ensino médio já tem acesso a alguma modalidade de formação voltada para o trabalho.
A ideia é aproximar a escola das oportunidades que surgem no mercado, principalmente em um Estado que passa por expansão econômica e precisa de profissionais qualificados.
Para a Secretaria de Educação, a escola tem uma dupla responsabilidade: garantir o aprendizado no presente e preparar o estudante para as escolhas e oportunidades que virão depois da conclusão do ensino médio.
Reformas melhoram o ambiente escolar
A infraestrutura também passou a fazer parte dessa transformação. De acordo com os dados apresentados pelo governo estadual, uma escola da rede é reformada, em média, a cada seis dias.
As intervenções incluem melhorias nos prédios e a instalação de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado, lousas, televisores e recursos para laboratórios.
Para os profissionais da educação, essas mudanças têm impacto direto na rotina. Um ambiente mais adequado melhora as condições de trabalho e pode contribuir para que professores e estudantes tenham uma experiência melhor dentro da escola.
Mas a reforma física é apenas uma parte do processo. A rede também aposta na formação dos professores, no acompanhamento da gestão escolar e no apoio a diretores e coordenadores.
Apoio aos municípios aproxima decisões da realidade local
Outra medida adotada pelo Estado foi o fortalecimento das Coordenadorias Regionais de Educação. A proposta é aproximar a Secretaria das escolas e das redes municipais, levando em consideração as diferenças entre as regiões.
Entre as ações estão capacitações, acompanhamento de gestores e apoio aos secretários municipais de Educação.
Programas como o MS Alfabetiza, o ICMS Educação e o MS Ativo também fazem parte dessa estratégia de articulação entre Estado e municípios.
A intenção é fazer com que as políticas educacionais considerem as necessidades específicas de cada comunidade, em vez de aplicar as mesmas soluções para realidades diferentes.
Resultados ainda exigem acompanhamento
Os dados apresentados pela rede estadual apontam melhora nos indicadores de proficiência e aprovação, além de redução do abandono escolar.
O avanço, porém, não significa que os desafios estejam resolvidos. Manter as escolas em boas condições, garantir a formação dos profissionais, melhorar a aprendizagem e reduzir ainda mais a evasão continuam entre as principais tarefas da educação.
Outro desafio que começa a ganhar espaço é a adaptação das escolas às mudanças provocadas pela tecnologia, pela digitalização e pela inteligência artificial.
A transformação da educação, portanto, não termina com a entrega de uma escola reformada ou com a implantação do ensino integral. A estrutura precisa caminhar junto com professores preparados, alimentação adequada, gestão eficiente e acompanhamento permanente dos estudantes.
Para quem está na ponta, o objetivo final é simples: fazer com que todas essas mudanças tenham impacto real na vida de crianças e adolescentes e ampliem as oportunidades dentro e fora da escola.






