Atividade física, prevenção de quedas, adaptações em casa e estímulo à independência podem ajudar a manter a qualidade de vida na terceira idade
O Brasil já tem cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa aproximadamente 15,8% da população e mostra uma mudança importante no perfil demográfico do país.
Com o aumento da expectativa de vida, surge também um desafio: como envelhecer mantendo a capacidade de realizar as atividades do cotidiano e tomar as próprias decisões?
Para Wandriane de Vargas, coordenadora do curso de Fisioterapia da Estácio, ter autonomia não significa necessariamente fazer tudo sozinho. Uma pessoa pode precisar de algum tipo de apoio e ainda manter independência para escolher, decidir e realizar tarefas importantes da rotina.
“Uma pessoa pode precisar de uma bengala, de um andador ou de alguma ajuda em determinada atividade e, mesmo assim, continuar sendo uma pessoa independente”, explica.
Atividades como levantar da cama ou da cadeira, tomar banho, vestir-se, subir escadas, carregar compras e caminhar podem se tornar mais difíceis com o passar dos anos. No entanto, a perda de capacidade não ocorre da mesma forma para todas as pessoas.
“O envelhecimento é muito individual. O nível de atividade física que a pessoa teve ao longo da vida, as doenças que apresenta, o histórico de quedas e até o ambiente onde ela vive fazem muita diferença”, afirma.
Fique atento aos primeiros sinais
A perda de autonomia costuma começar aos poucos. Dificuldade para levantar, necessidade de se apoiar nos móveis, insegurança ao subir escadas, redução das caminhadas e até o medo de sair de casa podem indicar que algo está mudando.
Quedas ou episódios em que a pessoa quase caiu também devem ser levados a sério. O medo de uma nova queda pode fazer com que o idoso reduza os movimentos, fique mais tempo parado e, com isso, perca força e equilíbrio.
A boa notícia é que algumas dessas perdas podem ser prevenidas ou retardadas.
“Algumas mudanças acontecem naturalmente com o envelhecimento, mas muitas perdas de força, equilíbrio e mobilidade podem ser prevenidas ou pelo menos retardadas”, explica Wandriane.
Entre os cuidados estão manter-se fisicamente ativo, ter uma alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas e evitar longos períodos de inatividade.
Também é importante atenção após internações ou períodos de repouso. O tempo prolongado na cama pode provocar perda de força e fazer com que uma pessoa que caminhava sozinha passe a precisar de ajuda para atividades simples.
Família deve ajudar sem substituir
Na tentativa de proteger o idoso, familiares e cuidadores podem acabar fazendo por ele tarefas que ainda consegue realizar. A orientação é oferecer segurança e apoio, mas preservar, sempre que possível, a participação da própria pessoa.
“Se ela ainda consegue fazer, mesmo que leve mais tempo, devemos estimular que continue fazendo. O objetivo é facilitar e tornar aquela atividade mais segura, e não retirar a atividade dela”, orienta a professora.
Isso pode ser aplicado a tarefas como se vestir, preparar uma refeição, organizar objetos pessoais e realizar pequenas atividades domésticas.
Em vez de assumir automaticamente a tarefa, a família pode acompanhar e oferecer ajuda somente quando for necessário. Dessa forma, o idoso continua exercitando habilidades e mantendo maior participação na própria rotina.
Casa segura também ajuda a prevenir quedas
Pequenas mudanças no ambiente podem fazer diferença. Melhorar a iluminação, retirar objetos que possam provocar tropeços, organizar os móveis, evitar pisos escorregadios e instalar barras de apoio quando houver indicação são algumas medidas que podem aumentar a segurança dentro de casa.
Mas a autonomia não termina na porta de casa.
Calçadas em boas condições, travessias seguras, transporte público acessível, iluminação adequada e espaços de lazer também são importantes para que a pessoa idosa consiga continuar circulando e participando da comunidade.
“Se a pessoa não consegue andar com segurança na calçada, atravessar uma rua ou utilizar o transporte público, sua independência também fica comprometida”, destaca.
Movimento e convivência fazem parte do envelhecimento saudável
Manter-se ativo não significa apenas fazer exercícios. Continuar encontrando amigos, praticando hobbies, participando de atividades de lazer e mantendo vínculos sociais também contribui para a qualidade de vida.
“A pessoa idosa precisa continuar se movimentando, mas também precisa continuar participando da vida”, afirma Wandriane.
Quando necessário, o acompanhamento pode envolver profissionais de diferentes áreas, como fisioterapia, terapia ocupacional, medicina, nutrição, enfermagem, psicologia e educação física.
O mais importante, segundo a especialista, é que o cuidado seja direcionado às necessidades reais de cada pessoa e às atividades que ela considera importantes.
“Não adianta a pessoa conseguir fazer um determinado movimento durante o atendimento se ela não consegue usar essa capacidade na vida real. O que importa é que ela consiga fazer aquilo que é importante para ela.”
Por isso, envelhecer com autonomia envolve mais do que preservar a força física. Significa criar condições para que a pessoa continue fazendo escolhas, mantendo sua rotina, circulando, convivendo e participando da sociedade com segurança e qualidade de vida.






