Além do feminicídio, João Jazbik Neto foi denunciado por violência psicológica, posse ilegal de armas e fraude processual; outros dois homens também respondem por fraude processual
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou o médico cardiologista João Jazbik Neto pelo feminicídio de Fabíola Marcotti, ocorrido em agosto deste ano, em uma propriedade na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A denúncia foi apresentada pela 20ª Promotoria de Justiça e protocolada na segunda-feira (24).
Segundo o documento, Fabíola e o médico mantinham um relacionamento amoroso e moravam juntos havia mais de dez anos. Para o Ministério Público, o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
A investigação aponta que Fabíola teria sido agredida na cabeça com um objeto cortante-contundente antes de ser atingida pelo disparo de arma de fogo que provocou sua morte. Conforme os laudos citados na denúncia, a dinâmica do crime indicaria que a vítima teve a capacidade de reação reduzida antes de ser atingida pelo tiro fatal.
O Ministério Público também sustenta que o crime teria sido cometido com meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A perícia realizada no imóvel concluiu que o local apresentava características compatíveis com feminicídio.
Além da acusação pelo feminicídio, João Jazbik Neto foi denunciado por violência psicológica contra a mulher, posse irregular e posse ilegal de armas de fogo e fraude processual.
De acordo com a denúncia, após a morte de Fabíola, um armário que guardava diversas armas teria sido retirado do cômodo onde o crime aconteceu e escondido em outro imóvel da propriedade. Uma arma de cano longo também teria sido retirada do local. O Ministério Público afirma que a alteração teria como objetivo dificultar a investigação e induzir a perícia a erro.
Dois outros homens, Elodir Hofmann e Geovane Garcia Abbegg, também foram denunciados por fraude processual. Conforme o documento, eles teriam participado da retirada e ocultação dos objetos da cena do crime. Os três foram presos em flagrante após a localização das armas em outro imóvel da propriedade.
A denúncia cita ainda a apreensão de diversas armas de fogo e munições na propriedade. Entre os armamentos estão revólver, fuzil, carabinas, espingardas e rifles, além de 438 munições intactas e nove deflagradas.
O Ministério Público pede que a denúncia seja recebida pela Justiça, com a citação dos acusados, realização da instrução processual e, posteriormente, decisão de pronúncia e julgamento. Também foi solicitado o pagamento de valor mínimo de 100 salários mínimos para reparação dos danos causados pelo crime.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados terão direito à defesa e ao devido processo legal.






