“Quando ninguém falava, a Feserp já cobrava”, afirma Lilian Fernandes, presidente da entidade lembrando que Federação questiona cobranças desde novembro de 2025 e sustenta que sua atuação foi decisiva para provocar auditoria do Governo do Estado
A suspensão dos descontos vinculados ao PKL One/Credcesta na folha dos servidores estaduais foi precedida por meses de questionamentos e cobranças da Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp). A entidade acompanha o caso desde novembro de 2025, em meio aos desdobramentos envolvendo o Banco Master.
O primeiro requerimento administrativo foi protocolado pela Feserp no Governo do Estado em 26 de novembro de 2025. No documento, a Federação questionou a regularidade dos descontos realizados na folha dos servidores públicos estaduais. Segundo a entidade, naquele momento ainda não havia registro público conhecido de iniciativa semelhante por parte de outra representação sindical ou agente político.
Poucos dias depois, em 4 de dezembro, o mesmo questionamento foi formalmente encaminhado à Prefeitura de Campo Grande.
Sem obter respostas, a Feserp recorreu à Justiça em 3 de março de 2026 e ajuizou uma ação relacionada aos descontos do Credcesta. O processo acabou extinto sem análise do mérito por questões processuais, mas a Federação apresentou recurso de apelação, que ainda aguarda tramitação e julgamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
A presidente da Feserp, Lilian Fernandes, afirma que a suspensão não pode ser tratada como resultado de uma mobilização recente.
“Essa suspensão não caiu do céu. Ela é resultado de uma luta séria e persistente da Feserp, iniciada quando quase ninguém falava sobre o problema. Procuramos o Governo, a Prefeitura, recorremos ao Judiciário e apresentamos pessoalmente as inconsistências à Secretaria de Administração. A decisão de suspender os descontos pertence ao Governo, mas a provocação, a cobrança e a defesa dos servidores começaram com a Federação”, declarou Lilian.
A atuação institucional continuou mesmo sem uma decisão judicial favorável. Em reuniões realizadas nos dias 24 e 30 de abril de 2026, representantes da Feserp levaram o caso diretamente à Secretaria de Estado de Administração e apresentaram os fundamentos relacionados às possíveis inconsistências no credenciamento do Credcesta.
Posteriormente, conforme divulgado pela imprensa, o Governo de Mato Grosso do Sul realizou uma auditoria no credenciamento e determinou a suspensão dos descontos na folha dos servidores estaduais.
A Feserp reconhece que a suspensão é um ato administrativo do Governo do Estado, mas reivindica o reconhecimento de seu protagonismo na apuração. A Federação sustenta que foi a primeira entidade a enfrentar formalmente o problema e manteve a cobrança pelas vias administrativa, judicial e institucional até que o credenciamento fosse revisado.
A entidade afirma que continuará acompanhando o caso e adotando as medidas necessárias para defender os servidores públicos estaduais e municipais de Mato Grosso do Sul.






