Manter substâncias perigosas fora do alcance das crianças e saber como agir em caso de ingestão acidental são medidas importantes para evitar complicações e garantir um atendimento rápido
Medicamentos e produtos de limpeza exigem atenção no dia a dia, especialmente em casas com crianças pequenas. Comprimidos deixados sobre mesas, frascos de produtos químicos em locais acessíveis e substâncias armazenadas em garrafas de refrigerante estão entre as situações que podem provocar intoxicações e colocar a saúde das crianças em risco.
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), apontam que o Brasil registrou 177.766 casos de intoxicação aguda em 2022. Desse total, 32,6% envolveram crianças e adolescentes de até 19 anos, aproximadamente 58 mil ocorrências. Os medicamentos foram responsáveis por 63,8% dos registros nessa faixa etária, seguidos por produtos de limpeza e outros agentes químicos, com 7,2%.
Para prevenir acidentes, medicamentos e produtos de limpeza devem ser armazenados em locais altos, preferencialmente trancados e sempre em suas embalagens originais. Também é importante evitar deixar comprimidos em bolsas abertas, gavetas acessíveis ou mesas de cabeceira. Produtos químicos nunca devem ser transferidos para recipientes de bebidas ou alimentos, pois podem ser confundidos pelas crianças.
Na hora da compra, a recomendação é escolher produtos de procedência conhecida, com identificação e instruções de uso no rótulo. Produtos clandestinos, sem identificação ou de origem desconhecida devem ser evitados. Durante as tarefas domésticas, os responsáveis também devem manter os frascos fechados e fora do alcance das crianças, mesmo quando o produto estiver sendo utilizado por pouco tempo.
Em caso de suspeita de intoxicação, é importante agir rapidamente. A orientação é afastar a criança da substância, identificar o produto envolvido e buscar atendimento especializado, mesmo que ela não apresente sintomas. Sempre que possível, a embalagem deve ser guardada para ajudar os profissionais de saúde a identificar a composição do produto.
Não se deve provocar vômito nem oferecer leite, água, alimentos ou misturas caseiras para tentar neutralizar a substância sem orientação profissional. Dependendo do produto ingerido, essas medidas podem agravar o quadro. Quando se trata de substâncias corrosivas, por exemplo, o vômito pode provocar novas lesões no esôfago e aumentar o risco de complicações respiratórias.
Os sinais de intoxicação variam conforme a substância e podem incluir vômitos, dor abdominal, sonolência, salivação excessiva, queimaduras na boca, dificuldade para respirar e convulsões. Como os sintomas podem demorar a aparecer, a ausência de sinais imediatos não significa que a criança esteja fora de perigo.
Em todo o Brasil, o Disque-Intoxicação oferece orientação gratuita pelo telefone 0800 722 6001. Em Mato Grosso do Sul, também é possível entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CEATOX/CIVITOX-MS) pelos números (67) 3386-8655 ou (67) 3386-4335, com atendimento 24 horas, conforme as informações fornecidas pelo serviço. Em situações graves, como dificuldade respiratória, convulsões ou perda de consciência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deve ser acionado imediatamente pelo número 192.
A prevenção começa com a organização dos ambientes e a adoção de hábitos seguros. Manter medicamentos e produtos químicos em locais protegidos, utilizar as embalagens originais e conhecer os canais de atendimento são medidas que ajudam a reduzir os riscos e a garantir uma resposta adequada em caso de emergência.






