Dor no peito, tontura e falta de ar intensa exigem atenção; especialista orienta sobre prevenção e primeiros socorros durante treinos e provas de rua.
Com o aumento das corridas de rua no Brasil e a proximidade de provas tradicionais, como a Corrida Internacional de São Silvestre, a preparação física precisa vir acompanhada de cuidados com a saúde. Embora correr traga benefícios ao coração, alguns sintomas durante o exercício podem indicar uma emergência e não devem ser ignorados.
Dor ou pressão no peito, tontura, palpitações acompanhadas de mal-estar, falta de ar fora do esperado e sensação de desmaio estão entre os principais sinais de alerta. Reconhecer essas manifestações e saber como agir pode fazer a diferença em uma situação de mal súbito.
Segundo Denis Corrêa, instrutor da CoreHelp, instituição especializada em treinamentos para emergências, é importante saber diferenciar o cansaço comum da atividade física de sintomas incomuns. Durante a corrida, é natural que os batimentos cardíacos e a respiração acelerem. O problema é quando essas alterações vêm acompanhadas de desconforto intenso ou inesperado.
O mal súbito nem sempre está relacionado a problemas cardíacos. Desidratação, exaustão pelo calor e alterações nos níveis de glicose também podem provocar fraqueza, tontura e perda de consciência. Por isso, diante de sintomas preocupantes, a recomendação é interromper imediatamente o exercício e procurar avaliação médica. Mesmo que o desconforto passe, não é indicado retomar a atividade sem orientação adequada.
O que fazer em caso de emergência
Se uma pessoa passar mal durante um treino ou uma prova, o primeiro passo é verificar se ela responde aos chamados e respira normalmente. Se estiver inconsciente e não respirar normalmente, ou apresentar apenas respiração irregular, como suspiros isolados, é necessário acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, e iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP).
As compressões devem ser feitas no centro do peito, em ritmo de 100 a 120 por minuto, até a chegada do socorro. Se houver um desfibrilador externo automático (DEA) disponível, o equipamento deve ser utilizado o mais rápido possível, seguindo as instruções de voz. Quem não tem treinamento também pode receber orientações do atendente do Samu por telefone.
A rapidez no atendimento é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência. Por isso, em corridas e outros eventos esportivos, é importante que haja equipes preparadas, equipamentos adequados e pessoas que saibam reconhecer uma parada cardíaca e iniciar os primeiros socorros.
Como prevenir problemas durante a corrida
A prevenção começa antes de calçar o tênis. Aumentar a distância e a intensidade dos treinos gradualmente, respeitar os períodos de descanso e manter uma hidratação adequada são cuidados importantes. Pessoas com doenças cardíacas conhecidas, histórico familiar de morte súbita ou sintomas durante o esforço devem buscar avaliação médica para receber orientações individualizadas.
Também é importante não insistir no exercício quando o corpo apresenta sinais incomuns. Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou palpitações acompanhadas de mal-estar exigem atenção imediata.
Para quem pretende participar da São Silvestre ou de outras provas de rua, a orientação é priorizar a saúde durante toda a preparação. Respeitar os limites do corpo, reconhecer os sinais de alerta e saber como agir diante de uma emergência são medidas essenciais para uma prática esportiva mais segura.






