Menino de 12 anos sobreviveu a 12 minutos de parada respiratória e inspirou mobilização familiar por treinamento preventivo
O que começou como um almoço em família terminou em uma corrida contra o tempo e marcou para sempre a vida de Lucas Emanuel, de 12 anos. No dia 21 de setembro, um engasgo durante a refeição evoluiu rapidamente para uma situação extrema, com parada respiratória de cerca de 12 minutos. A resposta rápida de equipes de emergência e a atuação decisiva de profissionais de saúde foram fundamentais para salvar o menino — e deram início a uma mobilização que hoje busca evitar que outras famílias passem pelo mesmo trauma.
Ao perceber que o filho não conseguia respirar, o pai, Márcio, seguiu imediatamente até a base do Corpo de Bombeiros no bairro Tijuca. A partir dali, uma força-tarefa foi acionada, envolvendo agentes patrimoniais, equipes de resgate em motocicletas e socorristas. Apesar dos esforços iniciais, a obstrução das vias aéreas era grave e o quadro se agravou.
O momento decisivo veio com a intervenção da médica Julia Mayumi, que utilizou um instrumento específico para remover o objeto que impedia a respiração de Lucas. O procedimento permitiu a retomada das funções respiratórias e mudou o desfecho do caso.
Após ser estabilizado, o menino foi transferido para o Hospital Cassems de Campo Grande, onde recebeu atendimento especializado. Lucas permaneceu nove dias internado, sendo quatro deles na Unidade de Terapia Intensiva, além de enfrentar uma pneumonia bacteriana. Exames detalhados descartaram sequelas neurológicas, o maior receio da família diante do tempo prolongado sem oxigenação. Ele recebeu alta no dia 30 de setembro.
A experiência motivou uma atitude prática. Em forma de agradecimento e prevenção, Márcio reuniu cerca de 20 familiares para participar de um curso de primeiros socorros no 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros. A iniciativa busca preparar a família para agir com rapidez em situações de emergência. “A gente nunca imagina que vai acontecer com a própria família. Quando acontece, tudo muda”, relata o pai.
O episódio também reforça o debate em torno do projeto de lei “Abraço da Vida”, que propõe a ampliação de treinamentos sobre a Manobra de Heimlich em escolas e programas de saúde. A proposta pretende democratizar o acesso ao conhecimento que pode ser decisivo entre a vida e a morte.
A técnica, utilizada em casos de engasgo, consiste em compressões rápidas no abdômen para desobstruir as vias aéreas. Um procedimento simples, mas que exige preparo — e que, no caso de Lucas, representou a chance de recomeçar.






