O Brasil viveu em 2025 o ano mais letal para mulheres desde que o feminicídio passou a ser reconhecido como crime. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam pelo menos 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero, o maior número desde 2015. Na prática, o país registrou uma média de quatro feminicídios por dia.
Em Mato Grosso do Sul, o cenário também é alarmante. O Estado fechou 2025 com 39 feminicídios, número superior aos 35 casos registrados em 2024, confirmando a tendência de crescimento da violência contra a mulher. A média estadual foi de uma mulher assassinada a cada 9 dias, a maioria morta por companheiros ou ex-companheiros que não aceitaram o fim do relacionamento.
Década de escalada da violência
Os índices nacionais superam os do ano anterior e ainda podem aumentar, já que alguns estados não concluíram o envio dos dados de dezembro. Especialistas apontam falhas na rede de proteção, demora na efetivação de medidas protetivas e subnotificação como fatores que contribuem para o avanço dos crimes.
Onde mais acontece
São Paulo lidera em números absolutos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mas, proporcionalmente, estados como Acre, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins apresentam taxas mais altas.
Em MS, casos de grande repercussão, como o de mulheres assassinadas mesmo após denúncias e pedidos de ajuda, reacenderam o debate sobre a efetividade das políticas públicas e da atuação do sistema de Justiça.
O que diz a lei
O feminicídio foi tipificado em 2015 para enquadrar mortes motivadas por ódio ou discriminação de gênero. Em 2024, a legislação foi endurecida e o crime passou a ter pena de 20 a 40 anos, podendo chegar a 60 anos com agravantes.
Uma ferida aberta
Desde a criação da lei, mais de 13 mil brasileiras foram vítimas de feminicídio. Organizações cobram ampliação da rede de acolhimento, delegacias especializadas funcionando 24 horas e agilidade nas medidas protetivas.
ONDE PEDIR AJUDA EM MS
• Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180
• Polícia Militar: 190
• Casa da Mulher Brasileira – Campo Grande: atendimento 24h
Lista de feminicídios em MS em 2025 39
Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;
Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro;
Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;
Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro;
Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;
Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;
Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;
Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;
Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;
Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;
Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;
Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;
Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;
Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;
Rose (Costa Rica) – 27 de junho;
Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;
Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;
Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;
Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;
Dahiana Ferreira Bobadilla (Assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;
Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;
Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;
Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;
Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro;
Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;
Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;
Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;
Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;
Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;
Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro;
Mara Aparecida do Nascimento Gonçalves (Aparecida do Taboado) – 4 de novembro;
Rosimeire Vieira de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Irailde Vieira Flores de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Gabrielli Oliveira dos Santos (Sonora) – 18 de novembro;
Alliene Nunes Barbosa (Dourados) – 24 de novembro;
Angela Nayhara Guimarães (Campo Grande) – 8 de dezembro;
Aline Barreto da Silva (Ribas do Rio Pardo) – 14 de dezembro.






