Ao longo da manhã os valores recuaram para perto de US$ 79, mas analistas afirmam que a situação ainda é instável e depende da evolução do conflito
Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira (2) após novos ataques no Oriente Médio envolvendo o Irã, em resposta a bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. O movimento acendeu alerta nos mercados globais e pode impactar diretamente combustíveis, alimentos e inflação em diversos países, inclusive no Brasil.
Logo na abertura dos mercados asiáticos, o barril do petróleo tipo Brent — referência mundial — chegou a subir cerca de 10%, ultrapassando US$ 82 (aproximadamente R$ 421). Ao longo da manhã os valores recuaram para perto de US$ 79, mas analistas afirmam que a situação ainda é instável e depende da evolução do conflito.
A reação ocorreu principalmente após relatos de ataques a embarcações nas proximidades do Estreito de Ormuz, região estratégica ao sul do Irã por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo. O tráfego marítimo praticamente parou depois que o governo iraniano alertou navios para não atravessarem a área.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou que ao menos duas embarcações foram atingidas e um projétil explodiu próximo de uma terceira. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirma que três petroleiros teriam sido atingidos por mísseis.
Mesmo sem pânico generalizado, especialistas acompanham a situação com cautela. Segundo o analista de energia Saul Kavonic, a infraestrutura petrolífera ainda não foi alvo direto, mas qualquer bloqueio prolongado do estreito pode pressionar os preços novamente. Já o consultor Robin Mills avalia que, por enquanto, os valores ainda estão abaixo dos níveis vistos há dois anos, porém o risco de crise energética permanece.
No domingo, a Opep+ anunciou aumento de produção em 206 mil barris por dia para tentar conter possíveis disparadas. Ainda assim, economistas alertam que um conflito mais longo pode levar o petróleo acima de US$ 100 o barril.
Caso isso aconteça, os reflexos podem ir além dos combustíveis. O aumento tende a encarecer transporte, alimentos, produtos agrícolas e industriais, pressionando a inflação mundial e podendo levar bancos centrais a elevar juros.
A Organização Marítima britânica registrou diversos incidentes de segurança no Golfo Pérsico e recomendou cautela às embarcações. Pelo menos 150 petroleiros chegaram a permanecer ancorados fora do Estreito de Ormuz devido ao risco elevado e ao aumento dos custos de seguro.
Especialistas apontam que a duração da crise será decisiva: quanto mais tempo durar a tensão militar, maior a possibilidade de impactos diretos no preço da gasolina e do diesel ao redor do mundo.






