“Não teve briga, não teve discussão, não teve reação. Ele já chegou atirando.”
O relato é do chaveiro testemunha ocular do assassinato do empresário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros dentro de uma residência no Jardim dos Estados, em Campo Grande. O autor confesso é o ex-prefeito Alcides Jesus Peralta Bernal, de 60 anos, preso em flagrante.
Segundo o depoimento, Bernal entrou pelo portão já com arma em mãos, apontou diretamente para a vítima e disse: “O que você está fazendo aqui na minha casa, seu filho da puta”. Roberto não teve tempo de responder. Foi atingido imediatamente.
Testemunha foi rendida e mandada deitar
O chaveiro relatou que estava ao lado da vítima no momento do crime e confirmou que nenhum dos dois estava armado.
Após o primeiro disparo, que derrubou Roberto, Bernal teria ordenado que ele se deitasse no chão. Com medo de também ser morto, conseguiu fugir enquanto o autor ainda mantinha a arma apontada para a vítima caída.
O depoimento reforça que não houve confronto e que a vítima não teve qualquer chance de defesa.
Imagens mostram chegada armada
Câmeras de segurança registraram a chegada de Bernal ao imóvel por volta das 13h44. Ele desceu de uma caminhonete já com um revólver calibre .38 em mãos e seguiu em direção à vítima.
De acordo com a Polícia Civil, foram efetuados dois disparos:
- um atingiu a lateral do corpo e atravessou até as costas
- outro atingiu a região posterior
Roberto morreu no local.
Disputa por imóvel motivou o crime
A vítima havia arrematado a casa em leilão e estava no local para tomar posse, acompanhado do chaveiro.
Entre os documentos apreendidos estão a escritura do imóvel, a matrícula atualizada e uma notificação extrajudicial para desocupação enviada a Bernal.
A investigação aponta ainda que a fechadura do imóvel foi trocada diversas vezes antes do crime, indicando disputa prévia pela propriedade.
Confissão e enquadramento por homicídio qualificado
Após os disparos, Bernal foi até a delegacia e relatou o caso, alegando que a vítima estaria invadindo sua casa.
Em interrogatório, ele confessou ter atirado, mas disse que não teve intenção de matar.
A Polícia Civil enquadrou o caso como homicídio qualificado por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
Polícia pede prisão preventiva
A delegada responsável ratificou a prisão em flagrante, negou fiança e representou pela prisão preventiva de Bernal.
A decisão aponta que há provas suficientes de autoria e materialidade, além de risco à ordem pública.
Investigação aponta execução
Para a polícia, o conjunto das provas indica que Bernal foi até o local armado e efetuou os disparos sem dar chance de reação.
O depoimento da testemunha ocular e as imagens de segurança são considerados elementos centrais para a acusação.
Caso segue para a Justiça
O inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário, que decidirá sobre o pedido de prisão preventiva.






