Pessoas próximas questionam se houve algum tipo de violência ou outro fator que possa ter provocado o estado de saúde que levou à morte
Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morreu na tarde de sexta-feira (6) após passar mal dentro de uma residência no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande (MS). O caso foi registrado inicialmente como ocorrência de emergência clínica e tentativa de suicídio e agora é apurado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
Segundo o relato do namorado da vítima, Diego Felype Pereira de Jesus, os dois haviam ido até o fórum resolver a retirada de um boletim de ocorrência registrado anteriormente. No local, porém, teria começado uma discussão motivada por ciúmes após ele mencionar o nome de outra mulher.
De acordo com a versão apresentada por Diego à polícia, após a discussão ele retornou para casa utilizando um serviço de moto por aplicativo. Pouco tempo depois, Ludmila teria chegado ao imóvel de motocicleta e a discussão continuou.
Ainda segundo o relato dele, em determinado momento Ludmila entrou na residência enquanto ele permaneceu do lado de fora. Ao olhar para dentro da casa, ele disse ter visto a jovem na cozinha colocando um pó branco em um copo com água e ingerindo o conteúdo.
Questionada, segundo ele, Ludmila teria afirmado que se tratava de cocaína. Após ingerir a mistura, ela teria começado a passar mal.
Diego afirmou que pediu ajuda a uma vizinha para acionar o SAMU e levou a jovem para o banheiro para que ela tomasse banho. Segundo o relato, ao sair do banho Ludmila sofreu uma convulsão e acabou batendo o rosto na porta do quarto.
Ele disse ainda que seguiu orientações do SAMU por telefone enquanto aguardava a chegada da equipe de socorro. Em um primeiro momento, Ludmila teria apresentado breve melhora e foi orientada por ele a se deitar na cama, porém voltou a convulsionar pouco depois e passou a expelir sangue pela boca.
Quando os socorristas chegaram ao local, a jovem estava desacordada. Ela apresentava ferimentos no rosto, abaixo do olho direito, e cortes no pé esquerdo.
Apesar do atendimento emergencial, Ludmila não resistiu.Durante o atendimento da ocorrência, Diego também apresentava arranhões no pescoço e no braço, além de uma mordida em um dos dedos. Ele afirmou à polícia que as lesões ocorreram enquanto tentava ajudar Ludmila durante as convulsões.
Uma vizinha relatou ter ouvido Diego gritando por socorro e pedindo que alguém ligasse para o atendimento médico. Ela acionou o SAMU, mas afirmou não ter presenciado o que ocorreu dentro da casa.
Apesar da versão apresentada pelo namorado, amigos da jovem contestam o relato e pedem uma investigação mais aprofundada. Pessoas próximas questionam se houve algum tipo de violência ou outro fator que possa ter provocado o estado de saúde que levou à morte.
Em nota, a Policia Civil informou que a perícia técnica compareceu ao local e foram colhidos os depoimentos preliminares das testemunhas e do envolvido.
Embora o fato tenha sido inicialmente registrado como suicídio em razão dos relatos colhidos no local, a Polícia Civil ressalta que a investigação segue com rigorosa perspectiva de gênero.
Até o presente momento, ainda segundoa nota, não há indicativos técnicos ou periciais que confirmem a hipótese de feminicídio, contudo, todas as linhas investigativas permanecem abertas para a completa elucidação do caso e verificação da veracidade das versões apresentadas.
A Polícia Civil aguarda a conclusão dos exames necroscópicos e periciais para dar continuidade às providências de polícia judiciária cabíveis.







