Golpe durou quase três anos e lesou vítimas em mais de R$ 400 mil, explorando confiança e solidariedade
Uma mulher foi condenada pela Justiça de Campo Grande por aplicar um esquema de estelionato continuado que durou quase três anos, enganando pessoas próximas com histórias inventadas para conseguir dinheiro.
Segundo a sentença, a ré usava narrativas dramáticas, incluindo doenças graves, mortes fictícias, inventários e até crianças inexistentes, para despertar a compaixão de suas vítimas. Em troca da solidariedade e apoio, que incluíam moradia, alimentação e suporte financeiro, ela entregava apenas mentiras.
O golpe era sempre planejado: cada nova história levava a pedidos de dinheiro, quase sempre em espécie. Para dar veracidade às mentiras, a ré chegou a se passar por criança em mensagens e cartas, falsificando a escrita. Em um dos casos mais cruéis, simulou a morte de uma criança inexistente para obter valores destinados a um suposto funeral.
Durante a investigação, foi confirmado que a acusada se inspirava em um livro para criar e aperfeiçoar os golpes, estruturando histórias cada vez mais complexas e manipuladoras. Ela também chegou a usar um carimbo médico falsificado para reforçar a urgência de tratamentos de saúde e garantir que os pedidos fossem atendidos.
O prejuízo causado foi significativo: uma das vítimas entregou mais de R$ 412 mil para a ré, chegando a vender um imóvel para quitar empréstimos feitos em favor dela.
Considerando o planejamento, a manipulação emocional e os danos financeiros, a Justiça condenou a mulher a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto e 258 dias-multa. A substituição da pena por medidas alternativas foi negada devido à gravidade dos fatos.
A sentença ressalta que explorar a solidariedade e a confiança das pessoas para obter vantagem financeira não fica impune, e que fraudes reiteradas geram consequências penais proporcionais à gravidade do crime.






