O médico Sandro Trindade Benites, diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), foi acusado de violência psicológica no contexto de um relacionamento íntimo em Campo Grande. O caso resultou na concessão de medidas protetivas de urgência com base na Lei Maria da Penha.
Conforme decisão do Plantão Criminal da Justiça, há indícios da prática de violência psicológica no âmbito doméstico, conforme relato registrado em boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
Diante da situação, o juiz determinou que o médico não se aproxime da vítima, de familiares ou testemunhas a menos de 500 metros, além de proibir qualquer tipo de contato, por qualquer meio de comunicação.
Segundo a mulher, o relacionamento teria sido marcado por manipulação emocional, humilhações e desgaste psicológico ao longo de quase seis anos.
“São seis anos de manipulação, com tanto desgaste e tantas perdas por conta desse relacionamento. Ontem ele veio à minha casa e ficou duas horas me humilhando. Eu não consigo mais trocar uma palavra com esse homem.”
Ela afirma que não sofreu agressão física, mas descreve um padrão de violência psicológica.
“Ele não me agrediu fisicamente, não. Ele é uma pessoa que manipula psicologicamente, que humilha. Ele chegou aqui já me humilhando, dizendo que eu não servia nem para segurar meu emprego.”
De acordo com o relato, durante o episódio mais recente, o médico teria desdenhado da situação emocional da vítima.
“Quando ele me viu emocionalmente abalada, ele ria e desdenhava.”
A mulher também afirmou que, em outra ocasião, teria recebido uma ameaça durante uma discussão após descobrir uma suposta traição.
“Uma vez, quando descobri um caso dele, ele disse que ia dar um tiro na minha cabeça se eu fizesse escândalo.”
Segundo ela, o relacionamento chegou ao fim após descobrir que o médico teria mentido sobre uma viagem. Inicialmente, ele teria afirmado que viajaria em outra situação, mas posteriormente ela descobriu que ele estava viajando ao exterior com a esposa.
“Eu mandei mensagem dizendo que depois dessa viagem eu não queria mais. Ele mentiu para mim. Foi aí que percebi que estava vivendo uma vida de migalhas e desrespeito.”
Conforme o relato, o médico estava em Dubai durante a viagem, e o rompimento do relacionamento teria ocorrido após esse episódio.
A vítima afirma que o relacionamento trouxe consequências profundas em sua vida pessoal e profissional, incluindo a perda do emprego.
“Estou passando um momento muito difícil porque sou sozinha. O que me garantia era o meu emprego, não era ele. E eu perdi por causa desse relacionamento.”
Apesar das acusações, ela relata que o rompimento tem sido emocionalmente difícil devido ao tempo de convivência.
“O mais difícil é olhar para uma pessoa com quem você conviveu quase seis anos e não ver um pingo de remorso ou respeito.”
Na decisão judicial, o magistrado destacou que os elementos apresentados indicam plausibilidade da ocorrência de violência psicológica e risco de continuidade da conduta, justificando a concessão das medidas protetivas.
O descumprimento das medidas pode resultar em prisão preventiva, conforme prevê a Lei Maria da Penha.
Até o momento, Sandro Benites não se manifestou publicamente sobre as acusações.






