Pesquisas desenvolvidas na UFMS criam sistemas que antecipam riscos e apoiam o planejamento urbano
Prever enchentes antes mesmo que a chuva comece a cair já é uma realidade em Campo Grande. Esse avanço é resultado de pesquisas desenvolvidas desde 2017 com apoio do Governo do Estado, por meio da Semadesc e da Fundect.
Um dos principais projetos é o HidroEX – Extremos Hidrológicos em Múltiplas Escalas, conduzido pela UFMS. A iniciativa desenvolveu um sistema avançado de monitoramento e previsão de enchentes, que já auxilia o município no acompanhamento das chuvas — apenas em fevereiro, foram mais de 300 milímetros registrados, volume que não era observado há uma década.
Ao longo dos anos, o projeto evoluiu de uma pesquisa inicial para uma estrutura robusta que reúne equipamentos modernos, inteligência artificial e aplicação direta na gestão urbana. No começo, os estudos utilizavam dados básicos de chuva e nível da água, principalmente na região da Bacia do Prosa. Com o apoio da Fundect, foi possível investir em tecnologias mais avançadas, como sensores que não precisam de contato com a água, radares e câmeras.
Hoje, esses equipamentos trabalham integrados a modelos inteligentes capazes de analisar o comportamento dos rios e prever cenários de risco. Entre os resultados, estão sistemas de alerta e ferramentas que utilizam deep learning, permitindo, por exemplo, medir o nível da água por meio de vídeos captados em diferentes pontos.
Os dados também são usados para orientar decisões do poder público. Com os modelos desenvolvidos, é possível simular impactos de novas obras ou loteamentos, ajudando a evitar problemas como alagamentos e enchentes em áreas urbanas.
O projeto segue avançando e já deu origem a novas pesquisas, incluindo estudos que integram dados climáticos para indicar possíveis áreas de inundação antes mesmo das chuvas ocorrerem. Além disso, está em fase de implementação uma rede com mais de 50 pluviômetros distribuídos pela cidade, que vai fortalecer ainda mais o monitoramento.
Para os pesquisadores, o apoio estadual foi essencial para transformar a ciência em solução prática. O resultado é um sistema que sai do ambiente acadêmico e passa a contribuir diretamente para a segurança da população e o desenvolvimento urbano da Capital.






