1:27 terça-feira, 14 julho 2026
A Onça
No Result
View All Result
A Onça
No Result
View All Result
A Onça
No Result
View All Result
Política brasileira não enxerga ciência como solução, diz pesquisadora

Política brasileira não enxerga ciência como solução, diz pesquisadora

A Onça by A Onça
10:10 domingo, 6 julho 2025
in Brasil
A A

A linha de crescimento econômico dos países do Brics se assemelha bastante à trajetória de crescimento científico. Em 2024, pesquisadores do bloco produziram 41% das publicações científicas do mundo, superando a proporção dos países do G7.

Apesar disso, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, teme que o Brasil esteja ficando para trás, em comparação com os outros países do bloco, especialmente os asiáticos.

Notícias relacionadas:Academias de Ciências do Brics propõem rede de soluções para o clima.Jovens do Brics têm energia nuclear como saída, diz diretor de agência.Especialistas defendem que Brics devem se unir para avançar em IA.Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, após a realização do Fórum de Academias de Ciências do BRICS, a biomédica e professora universitária defendeu maiores investimentos em ciência e tecnologia e maior cooperação entre os Brasil e os países do grupo.

Agência Brasil: Na sua fala aos participantes do encontro, a senhora disse que é preciso agir e não apenas assinar mais um documento. Como fazer isso?

Helena Nader: O problema é que a maioria dos países dos Brics, tirando a China e a Índia, que têm um investimento pesado na área de ciência, ainda não acordaram pra essa realidade. A gente já mudou muito, já melhorou muito a condição de vida no Brasil. E isso foi pela ciência, muita ciência… Mas a sociedade ainda não percebeu isso. E o governo também não percebeu isso. Nós vamos entregar o nosso comunicado aos chefes de Estado dos países do Brics, vai ter a reunião dos Brics aqui no Rio de Janeiro, os governos vão assinar mais um acordo e depois vão fazer o que com esse acordo? É isso que eu me pergunto.

Você podequerer ler

ECA completa 36 anos entre avanços e desafios para proteger crianças

ECA completa 36 anos entre avanços e desafios para proteger crianças

14 de julho de 2026
TJSP absolve empresário Thiago Brennand de acusação de estupro

TJSP absolve empresário Thiago Brennand de acusação de estupro

13 de julho de 2026
Invictas, seleções do Brasil jogam oitavas do Mundial de vôlei sentado

Invictas, seleções do Brasil jogam oitavas do Mundial de vôlei sentado

13 de julho de 2026
Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

Palmeiras conquista Ladies Cup antes da volta do Brasileiro Feminino

13 de julho de 2026

Agência Brasil: A senhora também disse que os países do Brics estão vivendo uma oportunidade única pela geopolítica…

Helena Nader: Sim. Eu estive na China durante quase 20 dias, percorrendo o país, e o que o presidente da China, Xi Jinping, tem feito? Eles têm um programa a cada 5 anos, e a ciência é o eixo central. Não é à toa que, na primeira vez em que eu fui para a China, em Pequim, não dava pra enxergar o céu, era tudo preto de fumaça, e hoje o céu é azul! Eu queria que São Paulo e o Rio fossem assim. E o Brasil pode decidir fazer isso. A gente tem que olhar com quem a gente está colaborando.

Agência Brasil: E o que falta para o Brasil tomar essa decisão?

Helena Nader: O Brasil não acredita em ciência. A política brasileira não acredita em ciência… Ela fala que isso que é importante, mas não acredita. Quando o Senado Federal colocou que o Ministério de Ciência e Tecnologia e todos os projetos de ciência nos outros ministérios não entrariam no arcabouço fiscal, a Câmara derrubou. Então, isso é a prova de que nós somos diferentes da China. Ela disse: “Eu quero ser o senhor do mundo, e, para isso, eu preciso de educação e ciência”. Eles já tinham uma tradição em educação, e agora eles têm laboratórios nacionais espalhados por toda a China, que é um país gigante. Aqui, está tudo concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sabe quantos criomicroscópios tem na China? Mais de 120. Sabe quantos tem no Brasil? Funcionando, dois. E um terceiro vai ser instalado. Então, são opções.

Agência Brasil: Há um problema de financiamento também?

Helena Nader: Não tem financiamento científico. O único financiamento nosso é FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], mas o que sobra dele para a ciência, de fato, é uma microfatia. Então, nós não temos um projeto. O Brasil não quer ser grande. Eu já falei isso no Congresso Nacional e insisto. Independentemente de quem é o governo, todos os ministros da fazenda, da economia, o nome que você quiser dar, a única ocupação é pagar a dívida.

Eu não esqueço uma frase do então ministro da economia do governo Bolsonaro [Paulo Guedes], que disse que o Brasil não precisa de ciência, porque, quando precisar, é só comprar a tecnologia. Agora, olha os países asiáticos. Eles acreditam em ciência. Olha a Coreia o que fez. Olha a produção científica da Malásia hoje! A academia deles foi criada em 1995. Vai ver o Vietnã como está. O Vietnã saiu de uma guerra, gente. Agora, no Brasil, a política brasileira não está enxergando que a ciência é a solução. Fui eu quem falou pela primeira vez essa frase, repeti várias vezes, tanto que todo mundo incorporou: “Ciência não é gasto, é investimento”. Mas no Brasil é visto como gasto, porque investimento é colocar dinheiro na bolsa de valores.

Agência Brasil: E em qual patamar a Ciência brasileira está hoje?

Helena Nader: A ciência brasileira é muito boa, mas a produção está caindo. E isso não só por falta de investimento, mas por falta de respeito. A carreira de docente acabou. Eu sou professora titular, aposentei por idade, com 75 anos. Fui pró-reitora de graduação, trabalhei a vida inteira com drogas químicas pesadas e radioativas. Na hora que eu me aposentei, tiraram tudo isso. Então, a carreira não é estimulante. Mas dizem que tem que encolher o Estado brasileiro. Quem é o estudante que vai querer se tornar pesquisador, com dedicação exclusiva, pra ganhar uma bolsa de R$2,1 mil reais?

Agência Brasil: E qual a expectativa de vocês a partir do encontro do Brics?

Helena Nader: O que a gente propõe é que os governos, as instituições multilaterais e organizações e os stakeholders da sociedade trabalhem juntos com a comunidade científica, para garantir que conhecimento, inovação e cooperação se tornem os pilares de um sul global revitalizado.

No ano passado, que nós sediamos o G20, eu vibrei, porque muitos pontos das nossas recomendações foram incorporados ao comunicado final dos chefes de Estado. Só que documentos não vão mudar a geopolitica. Documentos não vão melhorar a economia. O que vai melhorar a economia é educação e ciência. E, infelizmente, alguns países perceberam isso, mas outros não. Se você olhar a própria Arábia Saudita, que não quis assinar o documento, está investindo pesado em alternativas energéticas, em colaboração com a China, com a Rússia. O Brasil não pode ficar isolado.

Siga A Onça no


Compartilhe isso:

  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Tags: Agencia BrasilBrasilNotícias

Leia também

ECA completa 36 anos entre avanços e desafios para proteger crianças

ECA completa 36 anos entre avanços e desafios para proteger crianças

by A Onça
14 de julho de 2026

O Brasil comemorou nesta segunda-feira (13) os 36 anos da Lei 8.069, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A data abre a semana dedicada à legislação e estimula debates sobre políticas públicas voltadas às crianças e...

TJSP absolve empresário Thiago Brennand de acusação de estupro

TJSP absolve empresário Thiago Brennand de acusação de estupro

by A Onça
13 de julho de 2026

A 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) absolveu o empresário Thiago Brennand em um segundo processo, no qual havia sido condenado em primeira instância por forçar a prática de atos sexuais e ameaçar...

Invictas, seleções do Brasil jogam oitavas do Mundial de vôlei sentado

Invictas, seleções do Brasil jogam oitavas do Mundial de vôlei sentado

by A Onça
13 de julho de 2026

As seleções masculina e feminina de vôlei sentado, que disputam o Campeonato Mundial da modalidade em Hanghzou (China), voltam a quadra na madrugada desta terça-feira (14), pelas oitavas de final dos respectivos torneios. Entre os homens, que buscam um título...

Load More
  • Home
  • Política de Cookies
  • Posts

© 2023 A Onça

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password? Sign Up

Create New Account!

Fill the forms below to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

No Result
View All Result
  • Home
  • Postagens
  • Artigos da Onça
  • Brasil
  • Polícia
  • Governo
  • Campo Grande
  • Política
  • Saúde
  • Clima
  • Emprego
  • Cultura e Lazer
  • Emprego

© 2023 A Onça

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições Ver política de privacidade