O governo brasileiro vai apoiar a candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em publicação nas redes sociais, nesta segunda-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, em oito décadas de história, é hora de a organização “finalmente” ser comandada por uma mulher.
De acordo com Lula, a trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Na publicação, ele destacou seu currículo, como a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. Lembrou ainda que ela exerceu funções de alto nível no sistema multilateral.
Notícias relacionadas:”Trump quer criar nova ONU”, diz Lula sobre Conselho de Paz.Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém.ONU diz que ação dos EUA na Venezuela torna “mundo menos seguro”.“No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula.
“Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, completou o presidente brasileiro.
Atualmente, o português António Guterres comanda o secretariado das Nações Unidas. Ele foi reeleito em 2021 para um segundo mandato de 5 anos (2022-2026), após iniciar sua gestão em janeiro de 2017.
O novo secretário-geral assume o cargo em 1º de janeiro de 2027.
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Apoio conjunto
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores explicou que a candidatura de Bachelet foi apresentada formalmente, nesta segunda-feira, pelos governos do Chile, do Brasil e do México.
“Essa candidatura reflete a vontade compartilhada de nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais”, diz o documento.
“A ampla experiência da ex-presidenta Bachelet na condução de processos políticos complexos, sua reconhecida capacidade de facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas constituem uma contribuição substantiva para avançar em direção a uma organização mais eficaz, representativa e orientada para o bem-estar das pessoas”, acrescenta.
O Itamaraty ainda cita o atual cenário internacional de “grande complexidade” e o papel da ONU como principal espaço para o diálogo e a construção de soluções coletivas em matéria de paz e segurança internacional, desenvolvimento sustentável, promoção e proteção dos direitos humanos e ação para reverter a mudança do clima.
“Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo como pilar fundamental para uma governança global baseada na cooperação internacional e no respeito à autodeterminação dos povos”, finaliza a nota.