A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), acaba de criar a 13ª categoria do tradicional Prêmio Literário Biblioteca Nacional, concedido anualmente pela instituição desde 1994. Trata-se do Prêmio João do Rio, que será dedicado às crônicas, e já estará em vigor a partir deste ano. Na gestão do presidente da FBN, professor Marco Lucchesi, iniciada em 2023, a agenda dos prêmios literários da instituição foi ampliada com quatro novas categorias.
A primeira delas foi Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli).
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A segunda nova categoria destaca o Prêmio de Ilustração (Prêmio Carybé), que contempla toda uma parte essencial do projeto gráfico do livro que “nem sempre encontrava um lugar específico e nós fizemos a defesa desse lugar”, sublinhou Lucchesi. A terceira conquista refere-se ao Prêmio Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen). Marco Lucchesi explicou que essa categoria reflete a própria riqueza da FBN em termos de acervo, uma vez que a instituição possui a maior coleção de histórias em quadrinhos da América Latina e uma das mais importantes do mundo.
“São prêmios que contemplam a produção literária brasileira mas que também dão testemunho da riqueza do acervo da Biblioteca Nacional”.
A quarta categoria, criada este mês, é o Prêmio de Crônica (Prêmio João do Rio), que Lucchesi há algum tempo queria instituir porque ele contempla o que foi essencial no modernismo brasileiro, que foi a crônica.
“Ela dá um salto e se transforma quase em uma espécie de agenda permanente de tradução do cotidiano brasileiro, dos sentimentos que todos os grandes poetas e escritores passaram. Então, nós achamos que era um resgate importante e que conseguimos abrir esse sonho tão antigo que era ter a crônica como um dos elementos essenciais dos prêmios literários da BN”.
João do Rio
João do Rio era o pseudônimo do jornalista, escritor, cronista, contista e teatrólogo Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, nascido em 5 de agosto de 1881, no Rio de Janeiro, cidade na qual faleceu em 21 de junho de 1921, aos 39 anos de idade. Autor de obras como “A Alma Encantadora das Ruas”, “Vida Vertiginosa” e “As Religiões no Rio”, João do Rio é considerado o primeiro repórter a sair da redação para retratar o cotidiano das ruas da então capital federal, a boemia e a vida das classes populares. Foi pioneiro da crônica social moderna e ganhou notoriedade por seus textos que mesclavam jornalismo e literatura. Apesar de enfrentar preconceitos por ser negro e homossexual, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1910.
Com a criação do Prêmio João do Rio, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional passa a contemplar 13 categorias que darão a cada vencedor R$ 30 mil.
As categorias são:
Conto (Prêmio Clarice Lispector);
Crônica (Prêmio João do Rio);
Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade);
Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda);
Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli);
Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen);
Ilustração (Prêmio Carybé);
Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof);
Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé);
Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens);
Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães);
Romance (Prêmio Machado de Assis);
Tradução (Prêmio Paulo Rónai).
Prêmio Literário Biblioteca Nacional
Concedido anualmente desde 1994, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional objetiva reconhecer a qualidade intelectual das obras publicadas no Brasil. A premiação é considerada uma das mais conceituadas do país e a mais democrática no cenário nacional, uma vez que não exige taxa de inscrição e oferece o mesmo valor de premiação para todas as categorias. Podem concorrer ao Prêmio pessoas físicas com nacionalidade brasileira, com obras inéditas, isto é, em primeira edição, redigidas em língua portuguesa e publicadas no Brasil. O concurso é aberto também a autores independentes, desde que a obra esteja em Depósito Legal e traga impresso o número do ISBN (International Standard Book Number).
A coordenadora do Centro de Cooperação e Difusão da FBN, Veronica Lessa, informou à Agência Brasil que as inscrições para o Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026 deverão ser abertas ainda no primeiro semestre deste ano, com divulgação do resultado prevista entre outubro e novembro. Veronica considera a criação das novas categorias uma reparação histórica.
“Porque foram muitos anos sem uma nova categoria e na gestão do presidente Marco a gente conseguiu quatro novas categorias. Para a gente, é uma vitória muito grande”.
Alguns critérios avaliados pelas comissões julgadoras incluem qualidade literária, originalidade, contribuição à cultura nacional, criatividade no uso dos recursos gráficos e excelência da tradução. As obras são analisadas por 39 julgadores, sendo três em cada categoria, ligados ao meio cultural, com notório saber e reconhecimento em suas áreas. Os resultados são divulgados no Diário Oficial da União e no portal da Biblioteca Nacional.
Depósito Legal
Veronica Lessa ressaltou também que todos os interessados que se inscreverem precisam estar em dia com o Depósito Legal, que “é essa memória bibliográfica nacional que a BN guarda. A gente, ainda por cima, está atualizando o acervo e isso é bem importante”. O Depósito Legal é definido pelo envio à Biblioteca Nacional de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, por qualquer meio ou processo, segundo as Leis 10.994, de 14 de dezembro de 2004 e 12.192, de 14 de janeiro de 2010. O objetivo é assegurar a coleta, a guarda e a difusão da produção intelectual brasileira, visando a preservação e formação da Coleção Memória Nacional, que inclui obras de natureza bibliográfica e musical.
“Tudo que é publicado no país precisa ser doado um exemplar para a BN”, disse Veronica Lessa. Essa doação pode ser feita diretamente pelo escritor, ou pelo editor, no caso de obras bibliográficas.