Capital entra no circuito dos grandes shows, mas trânsito vira caos e expõe falhas dentro e fora do evento
O show da banda Guns N’ Roses, realizado na noite desta quinta-feira (9), no Autódromo Internacional de Campo Grande, colocou a Capital na rota das grandes turnês internacionais. Mas o evento também escancarou um problema que vai além da BR-262: falhas de acesso, organização e limites estruturais vieram à tona.
Com público estimado em cerca de 35 mil pessoas e impacto econômico milionário, o espetáculo entrou para a história. O trânsito, no entanto, também.
Colapso começou antes do portão
O principal gargalo foi o acesso ao autódromo. A BR-262, de pista simples, não suportou o volume de veículos e registrou congestionamento quilométrico.
A organização do evento afirma que o problema está na limitação estrutural da via e destaca que todo o planejamento foi feito com acompanhamento de órgãos públicos, como PRF, Detran e Agetran .
Ainda segundo a nota, o atraso de cerca de uma hora e meia no início do show foi uma medida para permitir que mais pessoas conseguissem chegar ao local.
PRF aponta falhas na organização do evento
Já a Polícia Rodoviária Federal trouxe um outro lado da história — e aponta problemas dentro da operação montada para o evento.
Em nota, a PRF afirma que participou do planejamento e analisou um projeto que previa múltiplos acessos e fluxo contínuo de veículos. Porém, na prática, o cenário foi diferente.
Entre os principais problemas identificados pela PRF estão:
• Apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada;
• Controle por leitura de QR Code na entrada — medida que já havia sido desaconselhada por gerar filas;
• Falta de sinalização adequada para orientar os motoristas;
• Abertura tardia dos estacionamentos, comprometendo a distribuição do fluxo ao longo do dia.
Segundo a corporação, os pontos de retenção não estavam diretamente ligados à gestão da rodovia, mas sim à organização interna do evento.
A PRF também destacou que atuou com operação “pare e siga”, flexibilização para pedestres e medidas de segurança para evitar acidentes, mantendo foco na preservação de vidas.
Quem é o responsável?
O episódio escancara um jogo de empurra.
De um lado, a organização afirma que não tem competência legal para intervir na rodovia e que cumpriu todas as exigências operacionais .
Do outro, a PRF aponta que o planejamento apresentado não foi executado como previsto — o que agravou o congestionamento.
No fim, o público ficou preso no meio do caminho.
Milhões na economia, gargalo na estrutura
Apesar dos problemas, o evento teve impacto econômico expressivo.
A movimentação ultrapassou R$ 33 milhões, com hotéis atingindo cerca de 86% de ocupação e público vindo de outros estados e até de países vizinhos .
Foram cerca de 1.500 empregos temporários gerados, além de uma megaestrutura com:
• 800 toneladas de equipamentos
• 66 carretas
• 2.800 profissionais envolvidos
Recado dado: Campo Grande precisa se preparar
O show provou que Campo Grande tem público e demanda para grandes eventos. Mas também deixou claro que a cidade ainda não está pronta para receber multidões dessa escala sem colapsar.
Mais do que um problema de trânsito, o episódio expõe a necessidade de planejamento integrado — entre poder público e iniciativa privada — para que eventos desse porte não virem sinônimo de caos.





