Com foco em Dourados, nova medida reduz prazo de resposta para até 1 hora e autoriza transferência imediata de pacientes em estado crítico
Diante do avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul nesta semana, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) implementou um fluxo emergencial para agilizar o atendimento de pacientes em estado grave. A medida foi oficializada por meio de resolução publicada na terça-feira (7) e estabelece novas regras para a regulação médica em todo o Estado, com atenção especial à região de Dourados, onde a situação é mais crítica.
Pelo novo protocolo, casos classificados como graves ou com risco de agravamento imediato — prioridades P1.0 e P1.1 — devem ter uma definição de encaminhamento em até uma hora após a solicitação. O objetivo é reduzir o tempo de espera e evitar complicações que possam levar à morte.
Entre as principais mudanças está a autorização do uso da chamada “vaga zero”, mecanismo que permite a transferência imediata de pacientes mesmo quando não há leitos disponíveis. A decisão poderá ser tomada pelo médico regulador em situações extremas, quando o tempo de resposta da rede convencional não for suficiente para garantir a sobrevivência do paciente.
A iniciativa ocorre em meio ao cenário de emergência em saúde pública em Dourados, onde a chikungunya apresenta índices elevados de positividade, variando entre 72% e 79%. O município já registra casos graves, incluindo gestantes infectadas, além de mortes confirmadas pela doença em 2026.
Segundo a secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, a medida busca dar mais rapidez e eficiência à rede de atendimento. Ela destacou que o momento exige respostas imediatas diante da pressão sobre os serviços de saúde.
O fluxo emergencial também organiza a atuação entre as centrais de regulação municipal e estadual. Em Dourados, o Hospital Universitário da UFGD será a principal referência para pacientes graves, seguido pelo Hospital Regional. Caso não haja resposta dentro do tempo adequado, a transferência poderá ser feita para qualquer unidade com capacidade de atendimento.
A resolução ainda define critérios clínicos para priorização, como sinais de choque, desidratação grave, dificuldade respiratória e alteração de consciência. Grupos mais vulneráveis, como gestantes, pessoas com comorbidades e populações indígenas, também terão prioridade no atendimento.
A SES informou que o novo modelo será acompanhado por indicadores diários e semanais, incluindo número de atendimentos e casos não resolvidos. A proposta é identificar falhas e ajustar rapidamente o sistema.
A medida é temporária e seguirá em vigor enquanto durar a situação de emergência provocada pela chikungunya no Estado.






