Pastor teria ido até o local, feito ataques à religião e provocado moradores; caso foi registrado em vídeo
O pai de santo Paulo Henrique da Silva, denunciou ter sido alvo de intolerância religiosa após um pastor ir até um terreiro de umbanda, no bairro Lageado em Campo Grand (MS).
No local, o homem que seria pastor da igreja “Jesus Cristo da Última Hora”, e fazer uma série de ofensas contra a fé da família que mantém o espaço.
“Eu tinha saído para ir no mercado, quando a minha sobrinha me ligou, falando que tinha passado um pastor e que falou para a minha irmã que se não mudasse de religião, que todo mundo ia ser condenado, que ia para o inferno. E aí o que que acontece? Aí eu na hora, eu já voltei para casa, peguei a minha sobrinha, que ela viu quem era, e saímos à procura dele para ver essa situação, né? Chegando lá, eu fui contestar com ele por que desse motivo, né? E aí ele começou a falar que a palavra dele é verdadeira, né? Quando minha mãe contestou, ele gritou: ‘abaixa o tom satanás’ e passou a gritar muito”, contou o babalorixá que é dirigente em um terreiro de umbanda no bairro.
A mãe dele, que é idosa ainda tentou argumentar que ninguém vai na porta de ninguém ofender nem chamar para ir para a umbanda. “Ai que ele gritava mais, chamando minha mãe que é idosa e tem problemas de saúde, de demônio e satanás”.
Conforme o relato, o dito pastor passou então a gritar palavras de ordem e fazer pregações, acompanhado de outras mulheres da igreja. “Ele foi em direção ao meu barracão e sempre dizendo que a palavra é verdadeira dele, que se a gente não mudasse de religião ia pro inferno, que todo macumbeiro, feiticeiro iria para o inferno. Quando ele chegou no barracão passei a fazer a filmagem para provar o que ele estava fazendo”, pontuou.
Ainda conforme pai Paulo de Xangô, o homem ofendeu as pessoas e chegou a se ajoelhar para fazer pregação e “converter a todo custo as pessoas.
Mesmo diante dos pedidos para que deixasse o local, o homem seguiu até o espaço onde são realizados os rituais religiosos e continuou com as declarações consideradas discriminatórias, reforçando que os frequentadores “iriam para o inferno”.
Parte da ação foi registrada em vídeo. Nas imagens, ele aparece fazendo pregações em frente ao terreiro e insistindo nas falas, sem se intimidar com possíveis consequências.
A família afirma que nunca teve qualquer tipo de atitude semelhante contra outras religiões e considera o episódio um desrespeito à liberdade de crença.
Apoio jurídico
Após o ocorrido, os envolvidos buscaram orientação jurídica junto ao Instituto Yalodê, dirigido pelo sacerdote Bàbá Augusto de Lógunède, que explicou ter uma equipe jurídica para atender pessoas que necessitam de acompanhamento em situações como essa.
“Nós temos advogados, voluntários, que conforme a disponibilidade deles, eles prestam orientação jurídica para pessoas que sofrem abusos, para as pessoas que sofrem perseguição religiosa, devido ao racismo religioso. É importante frisar que tem uma grande diferença de intolerância religiosa para racismo religioso. O racismo religioso, ele representa muito melhor. A luta do povo de Axé, do umbandista, do candomblicista, do juremeiro, do quimbandeiro, porque o racismo religioso advém do preconceito, da ignorância contra a cultura, contra a fé, contra a divindade e as crenças do povo africano. E a gente sabe que as religiões de matrizes africanas sofrem pelo racismo sim. Por exemplo, eu só não odeio o Thor, não odeio o Loki, não odeio a Poseidon, não odeio a Afrodite, mas o ódio é contra a Exu, é contra a Xangô, é contra o Logunedé e nossos ancestrais”, explica o babalorixá.
Então, as pessoas que precisarem de orientação, podem entrar em contato, diretamente com ele. “Seja pelo meu número de WhatsApp ou nas redes sociais que eu estou à disposição”.
Serviço:
Instituto Yalodê: @institutoyalode
Baba Augusto: @obabaaugusto
Whats: (67) 98473-5214






