Com participação importante na história da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), o ex-governador Marcelo Miranda Soares será velado no Parlamento estadual a partir das 8h desta quarta-feira (24). Por respeito e luto, a Casa de Leis está com suas bandeiras hasteadas a meio mastro. A Mesa Diretora também declarou luto oficial de três dias. Marcelo Miranda faleceu aos 87 anos nesta terça-feira (23) em Campo Grande após complicações de uma pneumonia.
Nascido em Uberaba (MG) em 1938, Marcelo Miranda veio para Mato Grosso do Sul na década de 1970 para trabalhar na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, em Três Lagoas. No início de sua vida pública no estado recém-criado, ele vivenciou um momento diretamente ligado à Assembleia Legislativa logo nos primeiros meses de funcionamento do Parlamento sul-mato-grossense.

(Foto: Arquivo ALEMS)
Quando Marcelo Miranda assumiu o governo, em 30 de junho de 1979, Mato Grosso do Sul vivia um momento conturbado. Poucos dias antes, o então governador Harry Amorim Costa havia sido exonerado pelo presidente da República, João Batista Figueiredo, deixando vago o cargo máximo do Executivo estadual. Como o estado não possuía vice-governador, coube ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Londres Machado, assumir interinamente o comando do governo.
A solução para a crise institucional passou pela própria Assembleia. Em 13 de junho de 1979, o Parlamento realizou sua primeira sessão extraordinária — antes mesmo da primeira sessão ordinária — para comunicar oficialmente aos deputados a exoneração do governador e definir os procedimentos legais necessários para garantir a continuidade administrativa do Estado.

(Foto: Maria Inez Albuquerque)
Amparado pelo artigo 55 da Constituição Estadual, que havia entrado em vigor poucas horas antes, Londres Machado permaneceu à frente do Executivo por pouco mais de duas semanas. O período de interinidade chegou ao fim em 29 de junho. No dia seguinte, Marcelo Miranda tomou posse como governador de Mato Grosso do Sul, após ser indicado pelo presidente da República.
As histórias da ALEMS e de Mato Grosso do Sul ligam, assim, duas personalidades políticas: Marcelo Miranda e Londres Machado. Além dessa relação na vida pública, os dois também eram amigos.
“Recebi com tristeza a notícia da partida do meu amigo Marcelo Miranda. Tivemos uma convivência política muito boa e uma relação marcada pelo respeito e diálogo”, diz Londres. “Tive a honra de trabalhar ao seu lado como chefe da Casa Civil e guardarei as lembranças desse período de confiança mútua. Marcelo deixa sua contribuição à história de Mato Grosso do Sul e uma trajetória marcante. Neste momento de dor, me uno aos familiares e amigos em oração, pedindo a Deus que conforte a todos”, completa Londres Machado.

(Foto: Wagner Guimarães)
O legado de Marcelo Miranda também se estende às novas gerações da política sul-mato-grossense. Entre seus familiares que seguiram a vida pública está o neto, deputado estadual João Henrique (NOVO). Em nota de pesar, o parlamentar lembrou que os primeiros passos de sua trajetória política foram dados ao lado do avô. “Eu o acompanhava nas campanhas desde os dez anos de idade, aprendendo na prática o valor do compromisso com a população e o significado de servir com integridade”, disse.
Velório e luto oficial
Devido à importância de sua história para Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda será velado no saguão Nelly Martins, na ALEMS. A cerimônia tem início às 8h e é aberta a toda sociedade. A Mesa Diretora também declarou luto oficial de três dias conforme consta no Ato 11/2026, publicado na página 9 da edição desta terça-feira do Diário Oficial do Parlamento.
Biografia
Engenheiro civil, administrador público e pecuarista, o ex-governador Marcelo Miranda Soares construiu uma trajetória marcante na vida política e administrativa do Estado, ocupando cargos estratégicos ao longo de mais de três décadas. Nascido em 1º de dezembro de 1938, em Uberaba (MG), Marcelo Miranda formou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia de Uberaba e realizou especialização em Administração Municipal.
Mudou-se para a região que mais tarde se tornaria Mato Grosso do Sul para trabalhar na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, entre Três Lagoas e Castilho (SP). Posteriormente, ingressou no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), participando da implantação de cerca de 4,5 mil quilômetros de estradas vicinais.
Sua entrada na política ocorreu na década de 1970, após convite do então governador Pedro Pedrossian e do ex-prefeito Levy Dias para disputar a Prefeitura de Campo Grande. Ele foi eleito prefeito da Capital em 1976, exercendo o mandato entre 1977 e 1979.
Em maio de 1979, renunciou ao cargo para assumir o governo de Mato Grosso do Sul por nomeação, sucedendo Harry Amorim Costa. À frente do Estado até 1980, conduziu uma fase importante da consolidação administrativa da recém-criada unidade federativa. Durante sua gestão, nove distritos foram elevados à categoria de municípios: Bodoquena, Costa Rica, Douradina, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Tacuru e Taquarussu.
Em 1982, foi eleito senador da República, exercendo mandato entre 1983 e 1987. Três anos depois, voltou ao comando do Executivo estadual ao vencer a eleição para governador em 1986, tornando-se o primeiro governador de Mato Grosso do Sul eleito pelo voto direto após a redemocratização. Seu segundo mandato se estendeu de 1987 a 1991.
Após deixar o governo, continuou atuando na administração pública. Entre 2003 e 2012, foi superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul, seu último cargo público.
Reconhecido como um dos protagonistas da consolidação política e administrativa de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda deixa um legado ligado à expansão da infraestrutura viária, à organização institucional do Estado e ao fortalecimento de diversos municípios sul-mato-grossenses.
Trajetória pública
Prefeito de Campo Grande (1977–1979);
Governador de Mato Grosso do Sul por nomeação (1979–1980);
Senador da República (1983–1987);
Governador de Mato Grosso do Sul eleito pelo voto direto (1987–1991);
Superintendente regional do Dnit em Mato Grosso do Sul (2003–2012)
(Colaborou Fabiana Silvestre)





