Manifestação será no próximo dia 12 de julho, no Bairro Lageado, e reúne lideranças religiosas e a sociedade em defesa do respeito às religiões de matriz africana.
A denúncia de racismo religioso feita pelo babalorixá Paulo Henrique da Silva, conhecido como Pai Paulo de Xangô, mobilizou lideranças religiosas de Mato Grosso do Sul e resultou na organização de um ato público em defesa da liberdade de crença. Promovida pelo Instituto Yalodê, a manifestação acontece no próximo domingo (12), a partir das 9h30, na Rua Evelina Figueiredo Selingardi, nº 806, no Bairro Lageado, em Campo Grande.
O ato ocorre após o episódio em que um homem identificado como pastor da igreja Jesus Cristo da Última Hora foi denunciado por invadir a área de um terreiro de umbanda e fazer ataques contra a religião praticada pela família. Segundo o relato, ele afirmou que os frequentadores “iriam para o inferno”, chamou praticantes de religiões de matriz africana de “feiticeiros” e, durante uma discussão, chegou a chamar uma das vítimas de “satanás”. Parte da ação foi registrada em vídeo.
A repercussão do caso reacendeu o debate sobre a liberdade religiosa e o racismo enfrentado por praticantes de Umbanda, Candomblé, Jurema Sagrada e outras tradições de matriz africana.
Com o lema “Respeite o meu axé, eu respeito a sua Bíblia”, a mobilização pretende reunir religiosos, representantes de movimentos sociais e cidadãos em uma caminhada pacífica pela igualdade de direitos e pelo respeito às diferentes expressões de fé.
Presidente do Instituto Yalodê, o sacerdote Bàbá Augusto de Lógunède afirma que o ato busca dar uma resposta da sociedade diante de episódios de discriminação.
“Não estamos promovendo confronto entre religiões. O que defendemos é um direito garantido pela Constituição Federal: a liberdade de crença. O racismo religioso ainda faz parte da realidade de milhares de brasileiros, principalmente daqueles que professam religiões de matriz africana. Esse ato é um convite para que toda a sociedade diga não à intolerância e ao preconceito.”
O sacerdote também reforçou que o Instituto continuará oferecendo acolhimento e orientação jurídica para vítimas de discriminação religiosa.
“Nossa missão é acolher quem sofre esse tipo de violência e oferecer orientação para que essas pessoas saibam que não estão sozinhas. O combate ao racismo religioso passa pela denúncia, pela informação e pela união de toda a sociedade.”
Bàbá Augusto destaca ainda que qualquer pessoa que seja vítima de racismo religioso ou intolerância religiosa pode procurar o Instituto Yalodê para receber acolhimento e orientação jurídica. A entidade conta com advogados voluntários que prestam assistência, conforme disponibilidade, a pessoas que sofrem perseguição, discriminação ou violência em razão da fé, oferecendo apoio para que as medidas legais cabíveis possam ser adotadas.
Para o babalorixá Pai Paulo de Xangô, tornar público o episódio foi uma forma de impedir que situações semelhantes continuem acontecendo.
“Nunca desrespeitamos a fé de ninguém e esperamos receber o mesmo respeito. O que aconteceu conosco foi muito doloroso, mas também mostrou que não estamos sozinhos. Espero que esse ato sirva para conscientizar as pessoas de que cada cidadão tem o direito de exercer sua religião sem medo, sem perseguição e sem violência.”
A organização ressalta que a manifestação é aberta ao público, independentemente da religião, e terá caráter pacífico. O objetivo é fortalecer a defesa da liberdade religiosa, conscientizar a população sobre o combate ao racismo religioso — crime previsto na legislação brasileira — e demonstrar solidariedade a todas as pessoas que já sofreram ataques em razão de sua crença.
Serviço
Ato Contra o Racismo Religioso
Data: 12 de julho de 2026 (domingo)
Horário: Concentração a partir das 9h30
Local: Rua Evelina Figueiredo Selingardi, nº 806 – Bairro Lageado – Campo Grande (MS)
A organização orienta que os participantes compareçam vestidos de branco, como símbolo de paz, respeito e união entre os diferentes credos.
Apoio às vítimas
O Instituto Yalodê também oferece acolhimento e orientação jurídica para pessoas que tenham sido vítimas de racismo religioso ou intolerância religiosa.
WhatsApp: (67) 98473-5214
Instagram do Instituto: @institutoyalode
Instagram de Bàbá Augusto: @obabaaugusto
A orientação é que vítimas ou testemunhas desse tipo de crime busquem apoio e formalizem a denúncia para que os casos sejam apurados e não permaneçam impunes.






