Um ritual religioso realizado na noite desta semana, em uma encruzilhada na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande, foi interrompido por um homem que, segundo testemunhas, estava embriagado e passou a ofender praticantes de religião de matriz africana, em mais um episódio de intolerância religiosa.
A denúncia foi feita pelo sacerdote Everton de Ogum, que registrou parte da confusão em vídeo. Nas imagens, o motorista para o veículo no meio da via e exige que o grupo interrompa a cerimônia, afirmando que “não concordava com aquilo”. Durante a abordagem, ele também profere palavras de baixo calão contra os participantes.
Segundo o pai de santo, o grupo realizava um rito de entrega de um filho de santo e todos os elementos utilizados eram biodegradáveis e não ofereciam qualquer risco ao meio ambiente.
“A gente estava fazendo o rito de entrega de um irmão de santo na encruzilhada. Não foi arreado nada prejudicial à natureza. Tudo o que fica ali é comestível aos animais. De repente, um carro parou bem no meio da rua e o motorista desceu já nos chamando de vagabundos, dizendo que a gente não tinha o que fazer e partindo para cima de um dos meus filhos de santo”, relatou Everton.
O sacerdote afirma que tentou explicar a natureza da cerimônia e garantir que o local não seria deixado com lixo, mas percebeu que o homem não tinha intenção de dialogar.
“Eu tentei conversar educadamente, explicar como funciona o ritual, mas não havia qualquer possibilidade de diálogo. Quando fui falar com ele, percebi que estava com uma garrafa de cerveja na mão e bastante alterado. Meus filhos filmaram tudo, inclusive a placa do carro. Evitei qualquer confronto justamente porque ele aparentava estar muito embriagado”, contou.
Ainda conforme Everton, ele informou ao homem que daria continuidade ao ritual e que, caso as ameaças continuassem, a Polícia Militar seria acionada.
Enquanto integrantes do terreiro chamavam a polícia, o motorista entrou novamente no veículo e deixou o local antes da chegada da equipe.
Além da possível prática de intolerância religiosa — crime previsto na legislação brasileira —, o sacerdote destaca que o homem aparentava conduzir o veículo sob efeito de álcool, situação que também configura crime de trânsito.
O caso reforça a preocupação de lideranças das religiões de matriz africana com a recorrência de episódios de racismo religioso e intolerância em Mato Grosso do Sul, onde praticantes frequentemente denunciam ataques verbais, ameaças e tentativas de impedir a realização de seus rituais.





