Investigação começou após morte de adolescente de 13 anos em Naviraí e revelou esquema com atuação em diferentes estados brasileiros
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (4) uma operação nacional para desarticular uma organização criminosa investigada por utilizar plataformas digitais para aliciar crianças e adolescentes, submetendo vítimas a práticas de violência psicológica, desafios extremos e episódios de automutilação.
Batizada de Operação Lívia, a ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), em parceria com o Ciberlab, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e contou com apoio das polícias civis de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Ceará.
A investigação teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, registrada em Naviraí, no sul do Estado. Durante as apurações, os investigadores identificaram que o caso poderia estar relacionado a uma rede criminosa com atuação no ambiente virtual e não se tratava de uma ocorrência isolada.
Segundo a investigação, os integrantes do grupo utilizavam diferentes plataformas digitais para encontrar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional. Após o contato inicial, as vítimas eram submetidas a um processo de manipulação psicológica, isolamento e pressão para cumprir desafios cada vez mais violentos.
Entre as práticas atribuídas à organização estão incentivo à automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de controle psicológico que, em situações extremas, poderiam levar as vítimas à tentativa de tirar a própria vida.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil identificou outra possível vítima em um estado diferente, além de indícios da existência de outros adolescentes que ainda podem ser localizados.
Durante a operação, foram cumpridas seis ordens de busca e apreensão contra adolescentes suspeitos de envolvimento e um mandado de prisão contra um investigado adulto. As ações ocorreram simultaneamente em cinco estados.
Equipes apreenderam celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos que serão analisados por peritos. O material deve ajudar a identificar novas vítimas, apontar a participação de outros envolvidos e reunir provas sobre a atuação do grupo.
A DEPCA enviou equipes para acompanhar o cumprimento das medidas no Rio de Janeiro e no Ceará. Nos demais locais, os mandados foram executados pelas polícias civis estaduais.
As investigações continuam e novas ações podem ser realizadas após a análise dos equipamentos apreendidos.






