Investigação aponta que suspeita queria uma menina para criar como filha e chegou a procurar outras gestantes antes de levar a bebê
A investigação sobre o sequestro da bebê Ayla Emanuelly, localizada com vida no Paraguai após desaparecer em Campo Grande, revelou novos detalhes sobre o que teria motivado o crime. Nesta sexta-feira (14), a delegada Anne Karine Sanches, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, explicou como os investigadores reconstruíram a dinâmica do caso.
Segundo a delegada, algumas versões que circularam durante as buscas não foram confirmadas pela investigação. “Não existe loira, não existe facção, não existe nada disso. Não existe a mãe ter doado”, afirmou.
Anne Karine explicou que a equipe levou alguns dias para concluir as diligências porque precisava confirmar cada etapa da história antes de localizar a criança e garantir o retorno dela à família.
“Demoramos um pouco nas diligências porque tínhamos que ter certeza da dinâmica dos fatos, para que essa criança realmente voltasse ao convívio familiar”, disse.
Sequestro teria sido planejado
De acordo com a investigação, a mulher apontada como uma das autoras teria preparado o crime antes de colocar o plano em prática. Ela teria contratado um motorista de aplicativo no dia anterior ao sequestro e utilizado o mesmo serviço no momento da ação.
A suspeita teria entrado no veículo com duas adolescentes e Ayla. A partir dos registros do deslocamento, os investigadores conseguiram reconstruir parte do trajeto e identificar os locais relacionados ao crime.
“Ela chamou motorista de aplicativo, aplicativo que ela tinha feito no dia anterior ao sequestro. Pegou as duas adolescentes, a criança e levou para os cativeiros. Lá, ela teve ajuda do outro autor, que foi autuado”, relatou a delegada.
As adolescentes teriam sido deixadas em uma área de mata. Já Ayla foi levada pelos suspeitos. Durante o deslocamento, a aparência da bebê também teria sido alterada para dificultar sua identificação.
Segundo a investigação, a criança foi colocada com roupas que a faziam parecer um menino e teve o bebê-conforto trocado. Depois disso, a suspeita seguiu para o Paraguai.
Suspeita queria uma filha
A investigação também avançou sobre a possível motivação do crime. Segundo Anne Karine, a suspeita havia encerrado um relacionamento e afirmado ao então companheiro que estava grávida. Depois, teria dito que havia perdido o bebê e passado por uma curetagem.
“Eles tinham encerrado o relacionamento. Ela disse que estava grávida, que havia perdido o bebê, que tinha feito curetagem, mas isso não existe”, explicou a delegada.
Ainda de acordo com Anne Karine, a suspeita teria começado a procurar outras gestantes que dariam à luz aproximadamente no mesmo período de Ayla. A intenção, segundo a investigação, era encontrar uma menina.
“Ela planejou esse sequestro porque tinha intuito de ter uma filha. Ela buscou outras gestantes, que dariam à luz naquela mesma época da Ayla, mas ela queria uma menina”, afirmou.
A delegada ressaltou que, até o momento, não há indicação de que a mulher faça parte de uma organização especializada em sequestros ou que tenha histórico desse tipo de crime.
“É um caso isolado. Ela não pratica sequestros. Ela queria essa bebê”, disse Anne Karine.
Ayla foi localizada com vida no Paraguai e retornou ao convívio da família após os procedimentos de proteção. Os envolvidos foram presos e a investigação continua para esclarecer todos os detalhes do crime e a participação de cada suspeito.




