Ação cumpre 14 mandados, bloqueia mais de R$ 1 milhão e investiga empresas que teriam recebido recursos públicos de forma irregular
Uma operação deflagrada nesta terça-feira (18) investiga um suposto esquema de fraude envolvendo empresas que prestavam serviços de internação para dependentes químicos custeados pelo Poder Público em Mato Grosso do Sul.
Batizada de Cura Terapêutica, a operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em bens e valores de investigados.
As apurações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), começaram há pouco mais de um ano e apontam que empresas aparentemente independentes teriam, na prática, vínculos entre si e atuado de forma coordenada.
Ao todo, 13 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por suspeita de crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a investigação, estabelecimentos ligados ao grupo teriam oferecido serviços de internação sem cumprir requisitos técnicos para funcionar como clínicas especializadas. Fiscalizações identificaram problemas como falta de alvará sanitário, ausência de equipe técnica mínima e condições precárias nas instalações.
A apuração também busca esclarecer como os serviços eram contratados pelo Poder Público. Há suspeitas de que empresas ligadas ao mesmo grupo tenham apresentado propostas em processos de contratação e orçamentos usados em ações judiciais para custear internações, apesar dos indícios de que seriam controladas ou administradas de forma integrada.
Em uma análise de 66 processos judiciais dos anos de 2023 e 2024, nos quais foram identificados repasses de dinheiro público, os investigadores estimaram que a vantagem econômica relacionada às contratações investigadas ultrapassa R$ 1 milhão.
Também foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas entre os investigados, com indícios de concentração e transferência de recursos. A suspeita de lavagem de dinheiro é uma das linhas da investigação.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes encontraram uma pessoa que estaria mantida em cárcere privado. Também foram apreendidas três armas de fogo, munições, medicamentos de uso controlado em situação irregular, cartões bancários em nome de terceiros e documentos.
Três pessoas foram presas em flagrante e autuadas por posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.
A operação mobilizou 36 policiais e contou com equipes de diferentes unidades da Polícia Civil, além do apoio da Defensoria Pública, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Farmácia.
As investigações continuam para identificar outras possíveis irregularidades, esclarecer o funcionamento do suposto esquema e definir a responsabilidade individual dos envolvidos.






