Mais de 90 mil hectares foram atingidos por incêndios neste ano; programa do MPMS usa satélites para monitorar focos e ajudar no combate
O Pantanal de Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário preocupante em 2026. Até agosto, os incêndios já atingiram uma área quatro vezes maior do que a registrada no mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e agosto de 2025, cerca de 21,9 mil hectares foram queimados no Pantanal sul-mato-grossense. Neste ano, até 18 de agosto, o fogo já atingiu 90,7 mil hectares.
Diante do avanço das queimadas, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) reforçou as ações de monitoramento e prevenção por meio do Programa Pantanal em Alerta, desenvolvido em parceria com órgãos estaduais e federais.
O trabalho usa imagens de satélite e tecnologia de monitoramento para identificar focos de calor quase em tempo real. Com as informações, equipes de fiscalização, bombeiros, brigadistas e proprietários rurais conseguem agir com mais rapidez quando um incêndio começa.
O programa também permite que a própria população acompanhe possíveis focos de incêndio. Qualquer pessoa pode cadastrar uma área de interesse e receber alertas por e-mail ou celular quando houver registro de fogo nas proximidades.
A iniciativa reúne diferentes órgãos, como o Corpo de Bombeiros, Imasul, Polícia Militar Ambiental, Ibama, Perícia Criminal e Sejusp. A ideia não é apenas apagar o fogo, mas também descobrir onde e como o incêndio começou e identificar os responsáveis quando houver indícios de crime ambiental.
O monitoramento também ajuda a definir quais propriedades precisam de atenção especial. Para isso, são considerados locais que já registraram incêndios, áreas próximas a unidades de conservação e regiões ambientalmente sensíveis.
Em operações realizadas pelo programa, imagens de satélite e análises técnicas já ajudaram equipes de fiscalização a encontrar áreas atingidas por queimadas ilegais, aplicar multas e avançar em investigações sobre a origem do fogo.
O cenário preocupa ainda mais por causa das condições do tempo. Calor intenso, baixa umidade do ar e períodos prolongados de estiagem deixam a vegetação mais seca e facilitam a propagação das chamas.
Com o aumento da área destruída em 2026, o alerta é para que a prevenção seja mantida durante todo o período de risco. A tecnologia, o trabalho conjunto das forças de fiscalização e a participação da população são apontados como fundamentais para evitar que novos incêndios saiam de controle e causem ainda mais danos ao Pantanal.





