10:54 sábado, 5 setembro 2026
A Onça
No Result
View All Result
A Onça
No Result
View All Result
A Onça
No Result
View All Result
Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

A Onça by A Onça
8:33 sábado, 5 setembro 2026
in Brasil
A A

Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi alerta que a seca ameaça não apenas alimentos e rios, mas também culturas e conhecimentos ancestrais.

Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanha comunidades do Corredor Seco Centro-Americano que tentam adaptar a agricultura à falta de água.

Notícias relacionadas:Inmet alerta para tempestades no Sudeste e Sul do país.Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño.Inpe inicia operação de modelo próprio de previsão do tempo .Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman conta que a região, historicamente afetada pela seca, teve inundações inéditas que devastaram plantações este ano.

As três histórias foram compartilhadas durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia. Elas levantam desafios comuns que vão além do evento: como transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina.

Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global (que gira em torno de 15% a 16%). Os dados são da convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

Você podequerer ler

Rock in Rio mantém foco em defesa de projetos socioambientais

Rock in Rio mantém foco em defesa de projetos socioambientais

5 de setembro de 2026
Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

5 de setembro de 2026
Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

5 de setembro de 2026
Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

5 de setembro de 2026

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades.

Para os representantes latino-americanos, no entanto, a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais ainda é grande.

Quando a chuva não vem

Xenia López trabalha com 16 comunidades rurais e semi urbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador. A maior parte delas vive principalmente da agricultura. A região está dentro do Corredor Seco Centro-Americano, uma faixa que se estende desde o sul do México até o oeste do Panamá, e é particularmente vulnerável à irregularidade das chuvas.

“Há zonas que enfrentam longos períodos de verão e episódios de calor intenso no inverno. Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

Nos últimos anos, Xenia passou a trabalhar com comunidades na adoção de práticas agroecológicas. A preocupação não é apenas com a redução das chuvas, mas também com solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

Segundo a líder, a mudança das práticas permitiu melhorar o aproveitamento da água e a proteção do solo.

“A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo, em vez de tratá-lo apenas como um recurso do qual podemos usar e abusar”, relata.

São soluções comunitárias, mas os problemas demandam maior apoio de autoridades e organismos internacionais. Xenia lamenta o fato de países como El Salvador e Nicarágua terem governos hostis, que não permitem espaços de reivindicação por iniciativas mais estruturais.

Participantes defendem que conferências como a COP17 permitem construir redes de apoio, dar maior visibilidade às demandas populares e sonhar com um futuro diferente para a região.

“No evento, contamos muito com a ajuda do Brasil, que nos deu espaço no pavilhão do país. Lá, conseguimos compartilhar nossas histórias e lutas. Mas precisamos de ajuda para ampliar nossas vozes em espaços internacionais e ter um lugar específico para as questões da América Central”, diz Xenia.

Da seca à inundação

No Chaco Americano, na Argentina, Antonella Sleiman vive outro tipo de transformação.

A região do Rio Salado Norte sempre conviveu com a seca. Neste ano, porém, tiveram de lidar com o outro extremo. Comunidades que haviam aprendido a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em uma escala que, segundo ela, não era observada havia cerca de 50 anos.

 Antonella Sleiman viu comunidades acostumadas a lidar com a seca serem inundadas. Maristela Crispim/ Divulgação

As famílias produzem milho, abóbora e outros alimentos principalmente para consumo próprio e para o comércio local. Também criam cabras, ovelhas, vacas e porcos.

Com as inundações, perderam parte das plantações e da vegetação utilizada naturalmente para alimentar os animais.

“Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes. Essa mudança gerou muitos problemas”, conta.

Professora de escolas rurais e promotora territorial da Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), Antonella participa também da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de oito organizações camponesas e indígenas distribuídas em uma área de cerca de 80 quilômetros.

Todos os meses, o grupo debate problemas de terra, água, produção, agricultura e juventude.

Antonella, assim como Xenia, integra a Plataforma Semiaridos, iniciativa formada por 16 instituições representativas de 10 países da América Latina. Ela espera que as demandas do seu povo tenham ecoado durante a COP17 e que novos espaços sejam abertos a partir do evento.

“Não gostaria que nossas lutas ficassem restritas às nossas realidades, mas que fossem captadas e ampliadas. Que pudéssemos ser capazes de incidir nas negociações que decidem o futuro de todos nós. Trazemos as vozes dos nossos territórios sem intermediários, então, seria importante que pudessem nos escutar e nos incluir nas decisões”, diz Antonella.

Seca também ameaça cultura

 Gilmer Yuimachi defende que os povos indígenas são guardiões dos territórios. Gilmer Yuimachi/ Arquivo Pessoal

Na Amazônia peruana, Gilmer Yuimachi observa outra dimensão da degradação ambiental. Indígena do povo shipibo-konibo, ele atua pela Associação Intercultural Bari Wesna junto a comunidades de Ucayali e de outras regiões amazônicas.

Segundo Yuimachi, períodos prolongados de seca reduzem os níveis de rios, lagos e igarapés utilizados para consumo, pesca, agricultura e criação de animais.

Alterações no regime de chuvas também prejudicam cultivos fundamentais para a alimentação das comunidades, entre eles mandioca, milho, feijão e arroz. Mas ele enfatiza que reduzir o problema a perdas econômicas seria insuficiente.

“Desde nossa experiência nos territórios indígenas da Amazônia peruana, a seca e a degradação dos solos não significam somente falta de água ou que a terra produz menos. Significam colocar em risco nossa alimentação, nossas florestas, nossos peixes, nossas plantas medicinais e também nossos conhecimentos e nossa cultura”, reflete.

Ao mesmo tempo, Yuimachi rejeita a imagem dos povos indígenas apenas como vítimas da crise ambiental.

“Não queremos ser vistos somente como comunidades vulneráveis. Somos também guardiões do território e temos conhecimentos ancestrais que podem contribuir para a restauração das florestas, a adaptação às mudanças climáticas e a recuperação de terras degradadas”.

Vozes jovens na COP

Nem todos os jovens latino-americanos que participaram da conferência em Ulaanbaatar vivem diretamente em territórios marcados pela desertificação e degradação dos solos. O que não significa que não sejam afetados por elas.

É o caso da brasileira Thaiane Maciel, 33 anos, engenheira ambiental e fundadora do Instituto Ecocria, uma organização que trabalha com educação ambiental no Rio de Janeiro. Para a engenheira, as políticas sobre a terra precisam estar conectadas a diferentes dimensões da vida.

“A questão da terra engloba tudo: a água, os sistemas alimentares, as migrações climáticas. Todos somos impactados em diferentes territórios e devemos pensar em modelos mais sustentáveis de uso do solo, como a agrofloresta”, pontua.

Thaiane participou da COP17 por meio da coalizão de juventude da convenção. Também moderou debates e trabalhou em uma iniciativa de comunicação destinada a divulgar a atuação de jovens durante as negociações.

Thaiane Maciel lamenta que os jovens ainda sejam vistos como partes ainda em aprendizado- Thaiane Maciel/ Arquivo Pessoal

Para ela, um dos problemas desses espaços é tratar a juventude como um grupo que ainda precisa apenas aprender, e não como parte capaz de formular e executar políticas.

“Acabam tendo uma visão do jovem como estando ainda em aprendizado, quando, na verdade, a gente já está pronto. Não é que você esteja iniciando ou entrando no mercado. Muitos jovens já estão consolidados ou têm essa bagagem técnica e de vivência no território”, analisa.

Com o fim da conferência, Thaiane espera que as ações continuem para além das declarações oficiais e contemplem as necessidades mais urgentes daqueles que vivem diretamente os problemas da terra e da seca.

“O documento final muitas vezes não é o que vai ser seguido à risca, mas a conferência é muito mais do que isso. É evidenciar o que os países estão fazendo, com o que estão se comprometendo. É o momento de cobrar dos governos soluções, e de construir parcerias e projetos para os territórios”, finaliza.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

Siga A Onça no


Compartilhe isso:

  • Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
Tags: Agencia BrasilBrasilNotícias

Leia também

Rock in Rio mantém foco em defesa de projetos socioambientais

Rock in Rio mantém foco em defesa de projetos socioambientais

by A Onça
5 de setembro de 2026

Além de entreter o público com shows nacionais e internacionais, o Rock in Rio, ao longo dos 41 anos de exibição, vem reforçando o foco em causas sociais e ambientais. Esse propósito avançou principalmente a partir de 2001, quando foi criado...

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

by A Onça
5 de setembro de 2026

"Mulheres em resistência, em defesa dos nossos corpos e dos nossos territórios. Que não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra está dentro de nós." Com o manifesto, treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram...

Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

Justiça Eleitoral garante transporte e urnas adaptadas para PCD

by A Onça
5 de setembro de 2026

Diante do crescimento expressivo do número de eleitores com algum tipo de deficiência física ou dificuldade motora, a Justiça Eleitoral estruturou uma série de iniciativas que permitem a esses cidadãos e cidadãs exercer o direito ao voto com autonomia e dignidade....

Load More
  • Home
  • Política de Cookies
  • Posts

© 2023 A Onça

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password? Sign Up

Create New Account!

Fill the forms below to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

No Result
View All Result
  • Home
  • Postagens
  • Artigos da Onça
  • Brasil
  • Polícia
  • Governo
  • Campo Grande
  • Política
  • Saúde
  • Clima
  • Emprego
  • Cultura e Lazer
  • Emprego

© 2023 A Onça

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições Ver política de privacidade