Entidade contesta declarações feitas pelo influenciador em entrevista e pede investigação sobre possíveis ataques a religiões de matriz africana
O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), em parceria com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), apresentou uma representação à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), no Rio de Janeiro, contra Pablo Marçal. A entidade pede a apuração de possíveis crimes relacionados a declarações feitas pelo influenciador durante uma entrevista transmitida pela internet.
A representação foi assinada pelos advogados Carlos Nicodemus e Maria Fernanda Fernandes Cunha, que atuam em nome das duas entidades. O documento aponta que declarações feitas por Marçal durante uma entrevista realizada em 27 de agosto teriam ultrapassado os limites da manifestação de opinião religiosa e assumido caráter depreciativo contra praticantes de religiões de matriz africana.
O trecho questionado na representação está localizado entre aproximadamente 2h45 e 2h49 da entrevista. Segundo o documento, Marçal teria feito referências pejorativas a praticantes de religiões de matriz africana, utilizando expressões como “macumbeiros” e associando essas pessoas a fracasso, inveja e falta de prosperidade.
A representação também cita a declaração de que “se macumba funcionasse, Bahia seria Dubai”. Para o CEAP e a CCIR, o conteúdo pode caracterizar racismo religioso e se enquadrar no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de preconceito ou discriminação.
As entidades afirmam ainda que a divulgação das declarações pela internet ampliou o alcance do conteúdo. Conforme registrado na representação, a entrevista já havia ultrapassado 350 mil visualizações no YouTube.
O documento também reúne argumentos jurídicos sobre a proteção às religiões de matriz africana e o entendimento de que ataques discriminatórios contra esses grupos podem estar relacionados à prática de racismo religioso. Para sustentar o pedido, os representantes citam a Constituição Federal, a legislação brasileira e decisões do Supremo Tribunal Federal.
Ao procurar a DECRADI, o CEAP e a CCIR pediram a abertura de uma investigação para apurar as declarações. Entre as medidas solicitadas estão a preservação e coleta do vídeo completo da entrevista, o depoimento do influenciador, de testemunhas e de possíveis pessoas atingidas pelas falas, além da adoção das providências cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.
A representação foi protocolada no Rio de Janeiro em 4 de setembro de 2026.




