Candidata propõe moradia, emprego, crédito e creche para vítimas que precisam reconstruir a vida longe dos agressores
“Por que ela não vai embora?” A pergunta, comum quando o assunto é violência doméstica, ignora um dos principais obstáculos enfrentados por mulheres que tentam romper com o agressor: como reconstruir a vida depois da denúncia.
Para a candidata a deputada federal e ex-secretária de Estado da Cidadania Viviane Luiza, garantir proteção não significa apenas afastar o agressor. É preciso oferecer condições para que a mulher tenha onde morar, consiga sustentar os filhos e tenha autonomia para não precisar voltar ao ambiente de violência.
“Ninguém pergunta como é a segunda-feira pela manhã. Ela arruma a mala, pega os dois filhos e agora? Vai para onde? Onde vai dormir com eles?”, questiona.
A discussão ganha ainda mais peso diante dos números da violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. O Estado chegou a setembro com 26 feminicídios registrados em 2026. Entre 1º de janeiro e 1º de agosto, foram 12.245 mulheres vítimas de violência doméstica, segundo o Monitor da Violência Contra a Mulher, elaborado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. A média é de 57,5 casos por dia.
Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 128 casos de feminicídio consumado ou tentado. Foram 39 mulheres mortas e 89 sobreviventes. Segundo os dados analisados, 91,5% das vítimas não tinham medida protetiva. No mesmo ano, o Estado apresentou a terceira maior taxa de feminicídios do país, com 2,7 mortes para cada 100 mil mulheres, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Para Viviane, medidas protetivas e atendimento especializado continuam sendo fundamentais, mas precisam estar acompanhados de políticas que garantam segurança material.
“Nem sempre o papel protege quem não tem renda. Nenhuma mulher deve escolher entre sofrer violência e deixar os filhos passarem fome”, afirma.
A proposta defendida pela candidata é criar uma política de apoio ao recomeço, reunindo proteção, autonomia financeira e assistência aos filhos. Entre as medidas estão linhas de crédito para mulheres que queiram empreender, prioridade em programas e oportunidades de emprego, acesso à moradia segura e prioridade para matrícula dos filhos em creches e na educação infantil.
Segundo Viviane, a dependência financeira, a falta de moradia e a dificuldade para cuidar dos filhos podem fazer com que mulheres retornem para relacionamentos violentos mesmo depois de denunciar os agressores.
“Enquanto estive à frente da Secretaria de Estado da Cidadania, entendi que, para ela conseguir ir embora, precisamos dar um chão seguro para recomeçar”, afirma.
Como candidata à Câmara dos Deputados, Viviane diz que pretende levar a proposta ao Congresso Nacional para transformar esse suporte em uma política de alcance nacional.
“Precisamos levar essa urgência para onde as leis são feitas e garantir o direito de recomeçar como uma política nacional”, defende.
Para a candidata, a sociedade também precisa mudar a forma como encara as vítimas de violência. Em vez de perguntar por que uma mulher ainda não deixou o agressor, a discussão deveria estar voltada para as condições oferecidas pelo poder público para que ela consiga sair com segurança, sustentar os filhos e reconstruir a própria vida.
Onde buscar ajuda
Em situações de emergência, a orientação é ligar para o 190. Denúncias, orientações e informações sobre a rede de atendimento podem ser obtidas pelo 180, da Central de Atendimento à Mulher.
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira atende pelo telefone (67) 2020-1300.






