Ônibus, bicicleta e caminhada exigem estrutura e planejamento nas cidades
Deixar o carro na garagem pode ser uma alternativa para quem quer economizar, evitar o trânsito ou simplesmente mudar a rotina de deslocamento. No dia 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro reforça essa possibilidade e chama atenção para outras formas de circular pelas cidades, como ônibus, bicicleta e caminhada.
Mas a escolha nem sempre depende apenas da vontade do motorista. Para que as pessoas consigam abrir mão do automóvel, é preciso ter calçadas em boas condições, ciclovias conectadas, iluminação adequada, arborização e um transporte coletivo que atenda diferentes regiões.
A professora Lusianne Azamor, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, explica que também é possível combinar diferentes meios de transporte. Quem mora longe, por exemplo, pode caminhar ou pedalar até um terminal e completar o trajeto de ônibus. Para isso, os sistemas precisam funcionar de forma integrada e oferecer segurança durante todo o percurso.
A própria organização dos bairros também influencia. Quando casa, trabalho, escola, comércio e serviços ficam muito distantes, os deslocamentos aumentam e o carro acaba se tornando mais necessário. Já regiões com serviços próximos facilitam trajetos a pé ou de bicicleta.
Em Campo Grande, outro fator precisa ser considerado: o calor. Para quem opta por caminhar ou pedalar, áreas arborizadas e com sombra podem fazer diferença, principalmente nos horários mais quentes. À noite, a iluminação das ruas e das calçadas também é importante para aumentar a segurança.
A realidade do transporte coletivo é outro ponto do debate. Enquanto a frota de veículos da Capital continua crescendo, o número de passageiros dos ônibus vem caindo. Para quem utiliza o sistema, o tempo gasto entre a espera, os terminais e o deslocamento pode influenciar diretamente na decisão de deixar ou não o carro em casa.
Para quem quer experimentar uma rotina com menos automóvel, uma alternativa é começar pelos trajetos mais curtos e avaliar quais caminhos podem ser feitos a pé ou de bicicleta. Em distâncias maiores, combinar bicicleta, caminhada e ônibus pode reduzir parte do percurso de carro.
O Dia Mundial Sem Carro, portanto, também serve como um alerta para o planejamento urbano. Mais do que incentivar o motorista a deixar o veículo em casa por um dia, a proposta é discutir se as cidades oferecem condições para que essa seja uma escolha possível durante todo o ano, com segurança, conforto e tempo de deslocamento adequado.





