Longa-metragem “Natasha”, dirigido pelos irmãos Thiago e Rafael Rotta, terá duas exibições em São Paulo e disputa o Troféu Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional, por votação popular
O cinema produzido em Mato Grosso do Sul ganha mais um importante espaço no cenário nacional. Após conquistar o prêmio de Melhor Filme Sul-Mato-Grossense no Bonito Cinesur 2026, o longa-metragem “Natasha”, produzido em Dourados (MS), foi selecionado para a 34ª edição do Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, que acontece entre os dias 11 e 22 de novembro, em São Paulo.
Dirigido pelos irmãos Thiago Rotta e Rafael Rotta, o filme integra a mostra POP MIX e terá sua première paulista no dia 14 de novembro. A produção também concorre ao Troféu Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional, cuja escolha será feita pelo voto popular.
Reconhecido como um dos principais eventos dedicados à cultura LGBTQIA+ na América Latina, o Festival MixBrasil reúne produções que abordam diferentes identidades, experiências e formas de expressão. Neste ano, a programação conta com 84 obras brasileiras, representantes de 16 estados e do Distrito Federal, entre longas, médias e curtas-metragens, além de séries.
Para Thiago Rotta, a seleção representa a realização de um sonho construído ao longo de sua trajetória no audiovisual. O diretor conta que acompanha o festival há muitos anos e que participar da programação sempre foi um desejo, especialmente por sua importância para o cinema de diversidade.
“Eu acompanho o MixBrasil há muito tempo. E não tem como fazer cinema de diversidade, ser uma pessoa LGBTQIAPN+ e não sonhar em ter uma obra participando desse festival. Mas é aquele tipo de sonho que nós, do interior, muitas vezes nem ousamos falar em voz alta. Saber que a Natasha chegou até aqui, em meio a tantas produções, torna tudo ainda mais emocionante”, afirma.
A conquista também representa um reconhecimento à trajetória de resistência do projeto, que começou em 2017 como uma série independente e passou por diferentes etapas até ganhar formato de longa-metragem. Para Thiago, chegar ao MixBrasil depois da premiação em Bonito demonstra a força de uma produção construída coletivamente, distante dos grandes centros do audiovisual brasileiro.
“Natasha passou por muitos desafios e foi uma luta de resistência até chegar a essa forma como longa-metragem. Depois de ganhar o Cinesur, vê-la agora chegando ao MixBrasil é muito emocionante. É ver essa obra encontrando cada vez mais pessoas, quebrando barreiras, resistindo, persistindo, existindo. E existe algo muito LGBTQIAPN+ nisso também: a nossa própria existência muitas vezes é feita dessa resistência”, destaca o diretor.
A história acompanha Nicole, Inês e Leona, três amigas que decidem realizar o último desejo de Natasha, uma drag queen assassinada antes de conseguir participar do concurso Raio de Sol do Pantanal. Para cumprir a promessa, elas embarcam em uma Kombi emprestada e partem de Mato Grosso do Sul em direção a Mato Grosso.
Durante a viagem, as personagens enfrentam situações de preconceito, conflitos pessoais e descobertas que transformam a homenagem à amiga em uma jornada de autoconhecimento, pertencimento e resistência. A narrativa aborda temas como amizade, luto e identidade, trazendo para o centro da história personagens e vivências da comunidade LGBTQIA+.
O projeto nasceu originalmente como uma série de 13 episódios, dirigida por Thiago e Rafael Rotta, com roteiro de Antoni Magalhães. Quase dez anos depois, o material foi adaptado para o cinema por Ana Ostapenko, em um trabalho realizado em parceria com Kojiro, responsável pela edição e montagem.
A transformação da série em longa-metragem exigiu um processo de reconstrução narrativa, reunindo diferentes profissionais que acompanharam o desenvolvimento da produção. Em agosto de 2026, o filme conquistou o prêmio de Melhor Filme Sul-Mato-Grossense no 4º Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano, resultado que abriu caminho para uma circulação ainda maior em festivais.
Para o roteirista Antoni Magalhães, a participação no MixBrasil representa a oportunidade de ampliar o alcance de uma história criada para dar visibilidade a diferentes experiências e formas de existência.
“Quando a gente cria uma narrativa com tanta representatividade, nosso maior objetivo é que essa obra alcance o maior número possível de pessoas. Participar do MixBrasil representa o encerramento de um ciclo para mim, que sempre sonhei em estar nesse festival”, afirma.
Thiago também faz questão de dividir a conquista com todos os profissionais envolvidos na realização do longa. Segundo ele, a chegada ao festival é resultado do trabalho e da dedicação de pessoas que acreditaram na história desde o início, incluindo seu irmão Rafael, o roteirista Antoni Magalhães, a diretora da adaptação Ana Ostapenko e o editor Kojiro.
“Esse sonho não é só meu. É das pessoas que construíram essa história comigo. Do Rafael, meu irmão, que codirige a Natasha comigo. Do Antoni, que está sempre ao nosso lado e completa essa nossa trinca como roteirista. Da Ana Ostapenko e do Kojiro, que se dedicaram tanto ao desafio de transformar uma série nesse filme tão potente”, reconhece.
A diretora da adaptação, Ana Ostapenko, também comemora a seleção e destaca a importância da conquista para o audiovisual produzido no Estado. Para ela, a presença do longa em um festival de alcance nacional contribui para ampliar o mercado e abrir novas perspectivas para as produções regionais.
“Natasha está voando, isso é muito importante pro cinema feito em Mato Grosso do Sul, para a abertura de mercado e de visões sobre nossas produções, é um orgulho fazer parte da programação de um festival tão importante no nosso país”, afirma.
A participação no MixBrasil marca um momento significativo para a equipe, que vê o reconhecimento nacional como resultado de anos de trabalho e persistência. Entre a conquista em Bonito e a chegada a São Paulo, “Natasha” reforça a presença de Mato Grosso do Sul no circuito audiovisual brasileiro e mostra a força de histórias produzidas fora dos grandes polos cinematográficos.
“Tem um gosto de fim de ciclo e, ao mesmo tempo, de começo de alguma coisa nova. Acho que, depois de tudo, poder olhar para a Natasha chegando ao MixBrasil e dizer ‘conseguimos’ tem um significado que eu ainda estou tentando entender”, conclui Thiago.
Durante o 34º Festival MixBrasil, o público poderá assistir ao longa em duas sessões no Centro Cultural São Paulo (CCSP). A primeira exibição será no dia 14 de novembro, sábado, às 19h30, na sala Spcine CCSP Lima Barreto, marcando a première paulista do filme. A segunda sessão está programada para 19 de novembro, quinta-feira, às 15h30, na sala Spcine CCSP Paulo Emílio. As duas apresentações integram a mostra POP MIX, e o longa segue na disputa pelo Troféu Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional, definido pela votação do público. As sessões serão realizadas no Centro Cultural São Paulo, localizado na Rua Vergueiro, 1.000, em São Paulo (SP).






