Publicação integra série de obras digitais que celebra os 50 anos de carreira do chargista, com sátiras sobre o bolsonarismo, Donald Trump e a política internacional
O cartunista político Cláudio de Oliveira lançou o e-book Trumpadas dos Bananinhas: a campanha de Flávio Bolsonaro, que reúne charges sobre as relações entre o bolsonarismo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a ultradireita internacional. A publicação é a terceira lançada pelo artista em 2026, ano em que completa 50 anos de carreira.
A obra integra uma série comemorativa que inclui os e-books Fogo Amigo 1 e Fogo Amigo 2, voltados à política econômica do terceiro governo Lula. Para este ano, o cartunista também prepara Amigo do Fogo, com charges sobre a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os partidos políticos e o Congresso Nacional.
Segundo Cláudio, a publicação de charges em formato de e-book permite reunir trabalhos produzidos em diferentes momentos e oferecer ao leitor uma visão mais ampla dos acontecimentos políticos.
“A charge é muito perecível. Já no dia seguinte, você é atropelado por novos fatos que precisam ser abordados pelo jornalista e pelo cartunista”, explica. Para ele, a organização das obras permite ir além do acontecimento imediato e apresentar uma leitura crítica e contextualizada dos temas.
Em Trumpadas dos Bananinhas, o primeiro capítulo aborda características do trumpismo nos Estados Unidos, incluindo o desgaste das instituições democráticas, as restrições aos direitos civis e as relações internacionais do movimento. A obra também critica as pressões exercidas pelo governo americano sobre países aliados em favor de interesses econômicos.
Os capítulos seguintes voltam o olhar para as relações de Flávio Bolsonaro com lideranças e movimentos de ultradireita europeus, incluindo o partido Alternativa para a Alemanha (AfD). As charges também abordam controvérsias associadas ao parlamentar, como o caso das chamadas “rachadinhas” e questões relacionadas ao Banco Master.
A trajetória de Cláudio de Oliveira começou em junho de 1976, quando, aos 13 anos, publicou suas primeiras charges no jornal Tribuna do Norte, em Natal (RN). Desde então, produziu cerca de 14 mil trabalhos e publicou 36 livros, dos quais 31 estão disponíveis em formato de e-book.
Entre suas referências está Henfil, um dos principais nomes do humor gráfico brasileiro, conhecido pela crítica política durante a ditadura militar. Em 1977, sob orientação de Henfil, Cláudio passou a colaborar com o semanário O Pasquim, publicação de destaque na resistência cultural ao regime.
Em 1993, mudou-se para São Paulo e trabalhou nos jornais do Grupo Folha. Desde 2022, atua como chargista da Folha de S.Paulo, onde mantém o blog Cláudio Hebdô.
Ao refletir sobre cinco décadas de profissão, o artista destaca o papel da charge no debate público e na formação do senso crítico.
“A charge publicada é apenas a ponta do iceberg. Passo o dia lendo notícias e análises, em diferentes formatos, para, no fim, criar uma síntese analítica e crítica, de preferência bem-humorada, no esforço de despertar o senso crítico do leitor”, afirma.
Ao longo da carreira, recebeu prêmios como o Vladimi





