O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que renunciará ao cargo. A decisão foi divulgada em meio à crise envolvendo o banco Ueno, que provocou revolta entre clientes e levou a oposição a apresentar um pedido de impeachment contra o chefe de Estado.
De acordo com a imprensa paraguaia, a renúncia precisa ser aceita pelo Congresso. Uma sessão para tratar do assunto deverá ser convocada.
O desenrolar da renúncia ainda está em atualização
Entenda a crise
O banco Ueno, controlado pelo Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar o processo de liquidação da instituição. A medida foi tomada depois que o órgão identificou um déficit nos índices de solvência, associado a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo.
Economista conservador, Peña assumiu a Presidência em 2023 e foi acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos — o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões —, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e acobertamento institucional por parte do Banco Central, entre outras irregularidades.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente. O senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou a deputada oposicionista Rocío Vallejo durante a sessão em que apresentou a acusação contra Peña.
Em publicação na rede social X, o presidente declarou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. Pouco antes, ele havia promulgado uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar o dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.






