Um grupo de 25 deputados democratas enviou, na noite de quarta-feira (29), uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, cobrando explicações sobre a concessão de um visto humanitário ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições presidenciais do último domingo.
Ele chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, que também receberam vistos.
Revelada pelo site Politico e obtida pelo UOL, a carta pede que Rubio esclareça como o Departamento de Estado coordenou a concessão dos vistos com outros órgãos. Os parlamentares também querem saber se as autoridades tinham conhecimento das investigações contra o senador e de uma ordem judicial que determinava a entrega de seus passaportes e o impedia de deixar o Brasil.
Em uma lista de 15 perguntas, os deputados questionam ainda se funcionários do governo americano ajudaram Flávio a viajar para os Estados Unidos e se Washington coordenou o deslocamento com autoridades da Argentina — de onde o avião teria partido — e do Equador, onde fez escala.
“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalizar se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirma um trecho da carta. Os parlamentares acrescentam que a transparência é importante diante de um processo judicial em outro país, das relações bilaterais e da aplicação das políticas americanas de imigração e diplomacia.
A iniciativa partiu das deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia e líder do Brazil Caucus na Câmara, e Dina Titus, de Nevada. Outros 23 congressistas democratas assinaram o documento. Entre eles está Joaquín Castro, integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
A viagem também repercutiu nos Estados Unidos após o jornal The New York Times informar que Jason Miller, assessor da Casa Branca e aliado da família Bolsonaro, ajudou a providenciar o jato usado por Flávio e seus familiares no trajeto entre a Argentina e a Flórida. Em 2021, Miller foi interrogado pela Polícia Federal no Aeroporto de Brasília, no âmbito do inquérito das fake news, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Miller também é citado em articulações recentes do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em favor de sanções de Washington contra o Brasil. Segundo o texto, a iniciativa buscava pressionar por uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Procurado pelo UOL, Miller não respondeu se atuou na viagem de Flávio.
Nas redes sociais, parlamentares democratas chamaram Flávio de “fascista” e questionaram por que ele teria recebido um tratamento negado a milhões de imigrantes e solicitantes de refúgio durante o governo Trump.
A mobilização ocorre poucos dias antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo o texto, Trump pode perder a maioria republicana na Câmara e, possivelmente, também o controle do Senado.






