Comissão terá prazo inicial de 120 dias para apurar a aplicação de recursos públicos, a execução dos serviços e as causas dos problemas nas ruas da Capital
A precariedade da pavimentação em Campo Grande e as constantes reclamações dos moradores serão alvo de investigação na Câmara Municipal. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buracos terá prazo inicial de 120 dias para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos, nos contratos e na execução dos serviços, além de identificar os motivos para as falhas na manutenção das vias.
A comissão é presidida pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), autora do requerimento de abertura da investigação. O vereador Dr. Victor Rocha (PSDB) ocupa a relatoria, enquanto Leinha (Avante), Beto Avelar (PP) e Dr. Lívio (União) integram o grupo como membros.
A proposta é conduzir os trabalhos com base em critérios técnicos e imparciais, sem direcionamento político-partidário. Entre os pontos que deverão ser analisados estão os investimentos destinados à operação tapa-buracos, os processos de contratação, a qualidade dos serviços executados e as justificativas para a falta de atendimento em diferentes regiões da cidade.
Luiza Ribeiro afirma que a investigação pretende esclarecer se os problemas decorrem das condições climáticas, especialmente do período de chuvas, ou se existem outras razões para a deficiência na prestação do serviço.
“É um trabalho estritamente técnico para investigar a situação do serviço de tapa-buracos e sua crise, seja quanto à correção da aplicação dos recursos, à contratação e execução dos serviços ou à ausência de atendimento. Queremos saber se isso é deliberado ou se é uma situação decorrente das chuvas, como vem sendo alegado”, afirmou.
A cobrança dos moradores por melhores condições de infraestrutura também deve orientar os trabalhos. Para o vereador Dr. Lívio, a CPI representa uma oportunidade de transformar as reivindicações da população em fiscalização e respostas concretas.
“A Câmara ressoa o que a população reivindica na cidade. Faremos um trabalho extremamente técnico para investigar esses serviços, que não atendem à população a contento. Esperamos entregar um trabalho condizente com a qualidade que a população merece”, declarou.
Os impactos dos buracos nas ruas vão além dos transtornos no trânsito. O vereador Leinha destacou que o problema atinge diferentes regiões da Capital e pode provocar acidentes, além de comprometer a segurança dos moradores. Ele também mencionou a experiência da Câmara em investigações anteriores, como a CPI do Transporte Público.
“É um marco que temos nesta Casa, após a CPI do Transporte. Hoje, os buracos são um problema que afeta toda a cidade. Essa é uma comissão que vai trabalhar de forma técnica e imparcial, em busca de soluções para a população”, afirmou.
Relator da comissão, Dr. Victor Rocha também chamou a atenção para os reflexos da má conservação das vias na saúde pública. Segundo ele, acidentes provocados pelas condições da pavimentação podem levar vítimas a procurar atendimento na rede pública de saúde.
“Essa questão dos buracos passa a ser um problema de saúde pública, quando as pessoas se acidentam nas ruas e precisam acessar a rede de saúde. A CPI cumpre um papel institucional e atende ao clamor da sociedade, que quer respostas”, pontuou.
O vereador Beto Avelar também defendeu a investigação como oportunidade de esclarecer as falhas na prestação do serviço. Para ele, a comissão deve manter o foco na apuração técnica da situação da pavimentação na Capital.
“Essa CPI é uma ótima oportunidade de investigar um serviço precário na cidade, e vamos trabalhar de forma técnica”, afirmou.
Ao longo dos 120 dias iniciais, os parlamentares deverão reunir informações e analisar documentos para identificar eventuais responsabilidades e apontar caminhos para melhorar a execução dos serviços. A expectativa é que a investigação ofereça esclarecimentos sobre a situação da pavimentação e contribua para respostas às cobranças da população.





