Pelas regras internas, somente bancadas com quatro deputados do mesmo partido ou blocos com ao menos oito parlamentares têm direito automático às vagas nas comissões
Em um dos momentos mais estratégicos do calendário político — o ano eleitoral — o deputado estadual Coronel David (PL) volta ao centro das articulações na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e passa a comandar o maior bloco governista da Casa. O parlamentar retornou de licença médica nesta quarta-feira já assumindo protagonismo ao garantir a presidência do chamado “blocão”, formado por metade dos deputados estaduais.
A movimentação ocorre justamente quando a disputa por espaços nas comissões permanentes ganha peso político e eleitoral. A liderança do bloco define, na prática, quem terá maior influência sobre a tramitação de projetos do Governo e também sobre propostas sensíveis que podem repercutir diretamente nas campanhas de 2026.
O bloco havia sido protocolado um dia antes pelo deputado Márcio Fernandes (MDB), inicialmente apontado como líder. Nos bastidores, porém, já havia a expectativa de que Coronel David reivindicaria a função — inclusive admitindo levar a decisão ao voto entre os parlamentares.
Assim que reassumiu o mandato, David articulou apoio interno e reuniu as assinaturas necessárias, entre elas a do próprio Márcio Fernandes, consolidando o comando do grupo.
“Estamos em um período decisivo para o Estado e para a Assembleia. A liderança do bloco garante organização da base e segurança institucional para que os projetos importantes avancem. Nosso objetivo é dar estabilidade política e responsabilidade na análise das propostas”, afirmou Coronel David.
Disputa por espaço nas comissões
O principal motivo da corrida pela liderança foi a composição da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), considerada a mais importante do Legislativo estadual. É por ela que passam todos os projetos antes de chegarem ao plenário — e onde uma proposta pode ser barrada ainda no início da tramitação.
Segundo David, a articulação também teve caráter estratégico.
“Atuamos para organizar o bloco e evitar desequilíbrio na composição das comissões. A CCJ é a porta de entrada de qualquer matéria e precisa funcionar com responsabilidade técnica e jurídica”, declarou.
Como ficou a Assembleia
Com a reorganização, a ALEMS passa a ter dois blocos governistas: um com 12 deputados e outro com oito parlamentares. Fora dessas composições estão os três deputados do PT e o deputado João Henrique Catan, que só poderão integrar comissões caso haja vagas cedidas pelos blocos.
Pelas regras internas, somente bancadas com quatro deputados do mesmo partido ou blocos com ao menos oitos parlamentares têm direito automático às vagas nas comissões.
Nos corredores da Assembleia, a avaliação é de que, mais do que uma simples reorganização interna, a disputa pela liderança evidencia que a corrida eleitoral de 2026 já começou — e que o controle das comissões pode definir o tom dos debates políticos nos próximos meses.






