Beneficiada pela queda das importações e pelo crescimento das vendas de petróleo, a balança comercial registrou o quarto maior superávit para meses de fevereiro desde o início da série histórica, divulgou nesta quinta-feira (5) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 4,208 bilhões, contra déficit de US$ 467 milhões no mesmo mês de 2025.
Em fevereiro do ano passado, o déficit registrado deve-se à importação de uma plataforma de petróleo. A operação não se repetiu em fevereiro deste ano, fazendo a balança voltar a ficar no positivo.
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O valor das exportações e das importações ficou o seguinte:
Exportações: US$ 26,306 bilhões, alta de 15,6% em relação a fevereiro do ano passado;
Importações: US$ 22,098 bilhões, queda de 4,8% na mesma comparação.
No caso das exportações, o montante é o maior para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 1989. As importações registraram o segundo melhor fevereiro da série, só perdendo para o mesmo mês do ano passado.
Acumulado
Nos dois primeiros meses do ano, a balança comercial registra superávit de US$ 8,023 bilhões. O valor é 329% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, influenciado pela importação de plataforma de petróleo, e o segundo mais alto para o período, só perdendo para janeiro e fevereiro de 2024.
A composição ficou a seguinte:
Exportações: US$ 50,922 bilhões, alta de 5,8% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado;
Importações: US$ 42,898 bilhões, queda de 7,3% na mesma comparação.
Setores
Na distribuição por setores da economia, as exportações em janeiro variaram da seguinte forma:
Agropecuária: +6,1%, com alta de 1,7% no volume e de 4,4% no preço médio;
Indústria extrativa: +55,5%, puxado pelo petróleo, com alta de 63,6% no volume e queda de 3,5% no preço médio;
Indústria de transformação: +6,3%, com alta de 4% no volume e de 0,8% no preço médio.
Produtos
Os principais produtos responsáveis pela alta das exportações em janeiro foram os seguintes:
Agropecuária: soja (+15,5%); frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (+33,9%); e milho não moído (+8%);
Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+76,5%); minério de ferro e concentrados (+20,9%); e minérios de cobre e concentrados (+131,2%);
Indústria de transformação: carne bovina (+41,8%); produtos semiacabados de ferro ou aço (+89,7%); e ouro não monetário, excluindo minérios de ouro (+71,9%).
Em relação ao petróleo bruto, a alta nas exportações chega a US$ 1,622 bilhão em relação a fevereiro de 2025. Tradicionalmente, as vendas de petróleo registram forte variação mensal por causa da manutenção programada de plataformas.
No que se refere às importações, a queda está vinculada ao gás natural e à desaceleração da economia, com a diminuição dos investimentos.
Na divisão por categorias, os principais produtos são os seguintes:
Agropecuária: trigo e centeio não moídos (-65,5%); e látex e borracha natural (-38,9%);
Indústria extrativa: gás natural (-50,8%); e outros minérios de minerais em base (-15,8%);
Indústria de transformação: motores e máquinas não elétricos (-70,5%); plataformas e embarcações (-8,3%); e inseticidas (-44,5%).
Projeções
Para este ano, o Mdic projeta superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões. As exportações deverão encerrar o ano entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões; e as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril. No ano passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 68,3 bilhões. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.
As estimativas do Mdic estão mais otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 68,63 bilhões.